Candidaturas estaduais que não estiverem afinadas com a orientação nacional vão ser sacrificadas em nome da aliança para a disputa da Presidência da República. Essa foi a decisão da cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) neste sábado, dia 9, apesar da chiadeira de uma parte dos afiliados.

A prioridade petista é ter apoio do PSB e PCdoB à candidatura do ex-presidente da República Lula da Silva, hoje na prisão cumprindo condenação na operação Lava Jato e inelegível à luz da Lei da Ficha Limpa.

“Toda e qualquer definição de candidaturas e política de aliança nos estados terá que ser submetida antecipadamente à comissão executiva”, diz nota do PT, deixando claro o sinal para o PSB.

A resolução determina como prioridade “construir uma coligação nacional para apoiar a candidatura Lula com PSB, PCdoB e outros partidos que venham a assumir este apoio”.

Só que dirigentes do PSB não engolem fácil a ideia de apoiar o PT sem saber se Lula terá mesmo condições de concorrer.

 

Amazonas já alinhado à orientação

No Amazonas, essa direção não encontraria grandes obstáculos. Afinal, as articulações para a participação do PT na coligação com o PSB do pré-candidato a governador David Almeida estão bem adiantadas. O vice na chapa, inclusive, seria um nome petista, segundo especulações de bastidores.

Com o PCdoB da pré-candidata à reeleição Vanessa Grazziotin já está tudo certo. O outro concorrente ao Senado nessa provável aliança seria o ex-deputado federal Francisco Praciano (PT).

 

Veja a resolução com a tática petista para as eleições:

O agravamento constante da crise política, econômica e social do país confirma o acerto do Partido dos Trabalhadores em sustentar, como prioridade absoluta, a candidatura do companheiro Lula à Presidência da República.

Essa prioridade absoluta, que corresponde ao anseio da grande maioria do povo brasileiro, foi adotada em resolução do Diretório Nacional nos dias 15 e 16 de dezembro de 2017, para enfrentar os retrocessos e atrasos impostos pela articulação golpista que se apossou do país.

A mesma resolução apontou que cabe ao PT viabilizar e fazer vencedora a candidatura Lula, sendo este nosso maior dever e responsabilidade para com o país e o povo brasileiro. Logo em seguida a esta prioridade, foram estabelecidos os objetivos de fortalecer as bancadas na Câmara e Senado e reeleger os governos estaduais do PT.

Está clara, portanto, a primazia do projeto nacional sobre as disputas regionais. Toda e qualquer definição de candidaturas e política de aliança nos estados terá que ser submetida antecipadamente à Comissão Executiva Nacional, também como definido na Resolução de dezembro.

No decorrer desses quase seis meses, a evolução da conjuntura tem mostrado que nosso candidato, mesmo preso injustamente, lidera a disputa presidencial com larga vantagem, registrando nas pesquisas um percentual maior que a soma das intenções de votos de todos os demais candidatos.

Neste sentido, a CEN, reunida em 09 de junho de 2018 em Belo Horizonte, resolve estabelecer os seguintes critérios para nossa tática eleitoral:

a) Construir uma coligação nacional para apoiar a candidatura Lula com PSB, PCdoB e outros partidos que venham a assumir este apoio.

b) Essa construção passa pela indicação do candidato a vice-presidente em entendimento com os partidos aliados.

c) O PT deve construir palanques estaduais com partidos de centro-esquerda, preferencialmente com PSB, PCdoB e outros partidos que apoiem Lula, sempre de acordo com a tática eleitoral nacional.

d) A CEN conduzirá, este processo, por meio do GTE, iniciando as tratativas para a aliança nacional e nos estados em que governamos e em que aqueles partidos governam, sempre cabendo à CEN a decisão final.

e) Nos demais estados o PT deve priorizar as alianças com os partidos considerando a composição da nossa chapa de deputados federais e senadores, bem como buscando participação nas chapas majoritárias sempre que possível.

Belo Horizonte, 9 de junho de 2018

Comissão Nacional Executiva do Partido dos Trabalhadores

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Foto: Divulgação/PT