Por Thomaz Antonio Barbosa*

 

As eleições deste ano de 2018 acenam para uma mudança radical no país.  Vamos escolher deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente da República. Após a Copa do Mundo de futebol, que aponta para um fiasco, devemos fazer o Brasil apontar de novo para o futuro. Começa com o dever de casa. Não é tarefa fácil para o cidadão comum, atordoado pelo que vem da mídia acerca de corrupção, conchavos, conluios, decidir quem irá representá-lo durante os próximos quatro anos.

No Amazonas, vamos eleger 24 deputados estaduais, oito federais, dois senadores e o governador do estado. Será uma partida extremamente complicada, na qual ninguém quer perder de 7 a 1. Na eleição suplementar de agosto de 2017, mudou o técnico, o time, mas não vencemos o jogo. Vamos para o tudo ou nada na final, em desvantagem. Provavelmente, a disputa mais acirrada se dará nas duas vagas do Senado com o término dos mandatos de Vanessa Grazziotin e Eduardo Braga.

No primeiro trimestre de 2018, o Amazonas teve 24,4% de crescimento industrial em relação ao mesmo período do ano passado, mais que o triplo do segundo colocado, o Pará, com 8,1%. É o início de uma recuperação local muito forte, haja vista estados como o de São Paulo terem obtido 2,0%; Santa Catarina -1,2% de crescimento negativo, assim como a Bahia, que acumulou -4,5%.  A Zona Franca de Manaus provando ser um dos vetores da economia nacional.

A recuperação da produtividade industrial do Amazonas é fruto da nossa bancada federal, de onde devem vir alavancado por esse sucesso Pauderney Avelino candidato a senador, e Alfredo Nascimento, por enquanto. Daqui de dentro ainda se espera Rebeca Garcia, o que é pouco provável haja vista ter perdido força após a aliança feita com o negão Amazonino; temos ainda Luiz Castro, da Rede Sustentabilidade, aliado de Marina Silva, galgando uma das vagas. Vanessa também é esperada e, por último, o próprio Eduardo Braga colocando todas as suas fichas na reeleição.

Já o PT, apostando na ingenuidade do caboclo, foi buscar no Ceará o até então aposentado Francisco Praciano para fazer uma fezinha no jogo, de olho em uma vaga na Câmara Municipal em 2020. O pretenso candidato espera que a “mãe dos deuses” lhe dê o regalo de quatro anos de mamata, bravatas, retórica, e nada em troca.

Praciano foi do PT quando quis e do PDT quando não, um autêntico peixe ensaboado da vida pública. Nem o Lula escapou de seu ego.

Em nome da sua sede de poder, jogou n’água amigos históricos e parcerias proveitosas. Que o diga o ex-prefeito Serafim Corrêa, repetindo a história do escorpião e do boi na travessia do riacho. Em todo o seu período de vida pública há quem jure de pé junto que não existe um beco em Manaus beneficiado pelo trabalho de Praciano, sequer um totem ou um bueiro ele mandou consertar.

Na realidade, Praciano foi um político de si mesmo, de uma prepotência exacerbada, um forasteiro garimpando na terra dos Manaós, o que lhe justifica. No seu legado deixou a kombi do Zé Ricardo, que a ele em tudo se assemelha, um lorde da raça superior gaúcha fazendo um favorzinho para a “cabocada”. Tudo isso sob o olhar atento de quem vê sua terra não ser em nada representada em função da vasta quantidade de aventureiros em solo baré.

Não será fácil a corrida ao Senado. Esses pré-candidatos irão disputar o palmo a palmo das eleições com a voracidade de sempre, até porque em um estado continental quem madruga tem mais chances de ver o dia raiar.  Do contrário, é nadar contra a correnteza, e no Amazonas tem muitas.

A esperança do eleitor é que o Brasil entre, a partir de 1.º de janeiro de 2019, em uma aura de mudanças, em um redirecionamento para a trilha do progresso. É preciso, portanto, de acuracidade na hora de escolher, olhar o horizonte ao redor com muita cautela, sem o julgamento da vala comum.  Não é sábio entregar um estado potente e grandioso como o nosso a “estrangeiros”.

E o que se espera para um senador do Amazonas? No mínimo um homem identificado com esta terra, saído de suas entranhas, que conheça lagos, rios e paranás; que saiba diferenciar Chico de Francisco nos beiradões, nas vilas, aldeias, comunidades e seringais. Que traga consigo um histórico de bons serviços prestados à Zona Franca de Manaus e ao homem do interior, com a experiência de quem nasceu e vive aqui. Essa identidade forte poderá ser o fator decisivo na hora da escolha do voto. Será uma eleição de personagens, onde o compromisso de fazer o estado crescer deverá se sobrepor a qualquer ideologia ou partido.

Separando o joio do trigo, o resto desce no ralo.

 

*O autor é contador, formado em ciências contábeis pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), MBA em marketing pela Universidade Gama Filho e mestrando em ciências empresariais na UFP/Porto, em Portugal.