Por Rosiene Carvalho, da Redação

O presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Wilker Barreto (PHS), declarou que o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), vai encaminhar à casa legislativa um projeto de lei transferindo o controle do sistema de bilhetagem das mãos do Sinetram para a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman).

Há várias gestões o assunto é tratado como um dos principais problemas no sistema de transporte público de Manaus por impedir transparência e gestão do poder público à respeito dos componentes do cálculo do valor da tarifa.

Além de críticas, porque, sob o controle do sistema, o Sinetram vende e ele próprio se paga pelo serviço prestado em Manaus com baixa possibilidade de fiscalização do transporte coletivo.

“O prefeito me disse este final de semana que vai mandar um projeto para alteração no sistema de bilhetagem. O projeto vai propor tirar a bilhetagem do Sinetram e transferí-lo para a Ageman. Estou aguardando para esta semana. Ainda não chegou”, disse o presidente da CMM.

Medida tardia

O vereador de oposição Chico Preto (PMN) disse que a medida do prefeito, embora tardia, é importante. “É uma medida necessária e tardia. Isso foi dito na tribuna hoje pela interlocução do prefeito na casa. A proposta não invalida a apuração de como o sistema tem sido gerenciado de maneira equivocada. É preciso identificar os erros para que não ocorra a mesma coisa. A CPI é necessária, na minha opinião”, declarou.

Chico Preto disse que para que haja controle e transparência no sistema é necessários que o sistema saia das mãos dos empresários.  “Como você coloca uma mucura para cuidar das galinhas? Em Bogotá, com o BRT, uma terceira pessoa vende as passagens e só paga as empresas mediante constatação de quantas viagens aconteceram. Aqui o empresário vende o bilhete, se paga e não tem fiscalização de verdade”, comparou.

Para o vereador colocar o controle da bilhetagem nãos mãos da administração pública é tirar  a Prefeitura de Manaus da condição de inércia sobre o sistema. “A prefeitura precisa abandonar a posição de deitada eternamente em berço esplêndido. Assumir o controle é trabalhar negociando. O que foi aquilo que aconteceu semana passada? A prefeitura saiu e disse ‘se entendam aí’. Não pode. Olha o que deu. O controle é público”, disse.

 

“Má ideia”

O deputado estadual e ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa (PSB) afirmou que colocar a administração do sistema de bilhetagem nas mãos do poder público é uma experiência que deu maus frutos em São Paulo. Serafim disse ser contrário à medida porque acredita que, a médio prazo, pode representar aumento de custos relacionados a subsídios pela prefeitura.

“Na Prefeitura de São Paulo não deu certo. O município foi para um alto nível de subsídio. Acho que esse não é o caminho”, declarou.

Serafim comparou a medida como se o Governo  Federal colocasse o controle da venda de passagens aéreas nas mãos da Anac. Ele defende maior transparência e fiscalização do sistema.

“A (ex-prefeita de SP) Luíza Erundina fez isso, (Paulo) Maluf manteve e isso foi explodir lá no (Celso) Pitta que teve que subsidiar o transporte para as empresas. Hoje a prefeitura paga cerca de R$ 2 bilhões por ano de subsídio. É um negócio doido”, disse.

O ex-prefeito disse que o sistema de bilhetagem não facilita fraude nos dados da planilha dos itens que compõem o preço da passagem. “Passou na catraca, entra no sistema”, disse.

Ele disse que, na época em que foi prefeito de Manaus, Serafim abriu a caixa preta e SMTU,  vereadores, Ministério Público Estadual (MPE) e Ministério Público Federal (MPF) receberam senhas para acessar  o sistema.

“Nem todos os vereadores acessaram. As senhas dos dois Ministério Públicos nunca foi logada”, disse o ex-prefeito.