Por Rosiene Carvalho, da redação

 

O economista e presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, em tom áspero, criticou os políticos do Amazonas durante homenagem que a entidade recebeu na Assembleia Legislativa (ALE-AM).

Périco jogou para o colo da classe política a aprovação e sanção da Lei Complementar 160/2017 que abalou a exclusividade do Amazonas em conceder, de forma legal, incentivos fiscais a empresas.

“É a falta de defesa verdadeira de como que os nossos interesses são tratados pelos políticos. Nossos representantes políticos não têm tido hombridade, capacidade e força política para fazer (a defesa dos interesses da região). Por isso outros estados fazem e nós só reagimos”, disse.

As repreensões do dirigente da indústria amazonense à classe política começou pela ausência física de parlamentares na homenagem, apesar do painel marcar a presença de vários deles. E terminou apontando falhas na defesa “verdadeira” dos interesses da sociedade do estado em Brasília.

Ao subir à tribuna, Périco ironizou a falta de deputados no plenário da ALE. O economista cumprimentou nominalmente os presentes: Adjuto Afonso (PDT), Alessandra Campelo (PMDB), Serafim Corrêa (PSB), Dermilson Chagas (PDT), Sinésio Campos (PT) e Orlando Cidade e Abdala Fraxe, estes do Podemos.  

“(…) Dos 24 (deputados). Eu estava vendo o placar da presença e me lembrei da faculdade, quando a gente pedia para assinar a presença na aula e vazava para tomar uma (beber). Queria cumprimentar os deputados que realmente estiveram aqui. Talvez seja por isso que a gente não consegue trocar conhecimento”, afirmou.

 

Ausentes

Neste ponto do discurso, Périco questionou onde estão os interesses e prioridades dos parlamentares ausentes.

“Poderíamos trocar ideia, um pouco do conhecimento. As nossas representações não estão aqui. É aí que eu pergunto: Onde estão as prioridades? Se as prioridades dessas pessoas que nós elegemos são as mesmas prioridades da sociedade, dos cidadãos ou se os interesses políticos partidários, os interesses pessoais, estão acima desses nossos direitos?”, disse.

O presidente do Cieam disse que era preciso aprender a defender “de verdade” os interesses do estado. E questionou que interesses motivaram os mesmos deputados da ALE a aprovar e meses depois recuar do aumento de 2% do ICMS. Para Périco, as eleições podem explicar a mudança.

“Quando falo isso, de direitos e interesses, um exemplo foi dado com o anúncio dos dois por cento do ICMS. A mesma casa que aprovou, agora volta atrás. Onde estava o interesse lá atrás, quando isso foi aprovado? E onde está o interesse agora? Talvez as eleições justifiquem alguma coisa”, disse.

 

Interesses verdadeiros

Périco afirmou que é injusta a imagem que se criou no resto do país de que o Amazonas “mama nas teta do governo” em função dos incentivos fiscais oferecidos na ZFM.

“Dos 27 entes federativos, apenas oito devolvem à União na arrecadação de tributos valores acima dos repassados. E um é o Amazonas (…) Nós recolhemos muitos impostos. Recolhemos tantos impostos que o estado do Amazonas devolve quase três vezes o repasse compulsório que recebe da União. Em 2016, recebemos R$ 3,7 bi e arrecadamos R$ 13,8 bilhões. Devolvemos mais de R$ 9 bilhões à União”, disse.

 

Lei Complementar 160

Périco afirmou ainda que um exemplo de como os políticos não fazem defesa verdadeira do modelo é a Lei Complementar 160.

Outros estados fazem e nós só reagimos. Exemplo é a PL 160. Agora, estamos só querendo reagir à PLC 160 comprada por um governo podre. Porque foi moeda de troca para se manter o governo. E nós assistimos”, disse.

 

UEA

O presidente do Cieam fez questão de destacar que a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) é mantida a partir de recursos arrecadados com tributos pagos pela indústria. Périco deu essas informações afirmando que é errado o discurso de que as indústrias só tiram do Amazonas e nada deixam.

“Todo custeio da manutenção da UEA é feito com a arrecadação feita em cima da atividade industrial. Não sai nenhum centavo da rubrica orçamentária do Governo do Estado. É uma taxa cobrada específica para custeio da universidade, assim como é o FTI (Fundo de Turismo e Interiorização) e o FMPES (Fundo das Micro e Pequenas Empresas”, afirmou.

 

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Foto: BNC