Por Neuton Corrêa*

 

Dependente do polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM), a economia do Amazonas vive um momento asfixiante em pleno começo de retomada do crescimento.

Não se trata de um fenômeno isolado, mas parte de um cenário ainda maior, que será sentido com mais intensidade porque o estado é dependente do modelo por ainda não ter construído outras alternativas que reduzam a dependência da ZFM.

Alguns fatores concorrem neste momento para sufocar a indústria do Amazonas.

Para começar, dois velhos incômodos que atacam o modelo como feridas brabas: a greve dos funcionários da Receita Federal, dos analistas tributários; e a falta de fiscais agropecuários suficientes para liberação de mercadorias. Insumos param nos portos e no aeroporto de Manaus à espera desse analista.

Os dois setores, com meia-dúzia de gatos pingados, há décadas param o crescimento nacional.

Pior é que, nesse período, o governo não descobriu uma solução para não se tornar refém deles, da mesma forma como não resolveu a histórica reclamação salarial e condição de trabalho reclamadas pelos grevistas.

Além desse crônico problema, há as novas doenças, que são consequências de velha enfermidade nacional, que puxou uma crise que afetará brasileiros e a indústria nacional como efeito dominó.

Esse é o caso da disparada do aumento dos combustíveis, que provocou a greve dos caminhoneiros, que parou o país, mas acelerou retomada demagógica dos discursos fáceis sobre a solução do impasse.

Tal demagogia se viu ontem com o anúncio da retirada da Cide dos combustíveis, que não representará um centavo na conta final, enquanto o governo se empanturra com o aumento das receitas dos royalties do petróleo, que está em disparada.

Do polo industrial da ZFM, aqui, nem convém falar dos PPB (processos produtivos básicos) travados em Brasília e da logística, que é desafiadora.

Por fim, é por final mesmo, nem vamos lembrar que nesta quarta-feira o transporte público que leva grande parte da mão de obra para as fábricas de Manaus foi paralisado pelos rodoviários.

 

*O autor é jornalista e proprietário do BNC Amazonas (bncamazonas.com.br)

 

Foto: Reprodução/CityCorp