Os membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que dominam o sistema prisional do estado de Roraima, resolveram filiar venezuelanos como reforço na disputa com rivais da Família do Norte (FDN) pelo controle do narcotráfico na região amazônica.

A facção se aproveita da crise na Venezuela, que levou para Roraima e Amazonas, principalmente, milhares de pessoas em busca de condições de sobrevivência.

A presença de venezuelanos na principal prisão de Boa Vista, a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, vem aumentando a cada dia, e agora fazem parte do plano do PCC de expansão de suas fileiras.

“Observamos que muitos venezuelanos foram cooptados pelo PCC. Por meio do setor de inteligência, percebemos que esse contato com o país vizinho vem se fortalecendo”, disse o secretário-adjunto de Justiça e Cidadania de Roraima, Diego de Souza.

Segundo ele, a presença de venezuelanos na rival FDN, que no presídio é aliada à facção Comando Vermelho, é irrelevante.

Foi o PCC que comandou o massacre de mais de três dezenas de presos rivais em janeiro de 2017 na Monte Cristo. Logo em seguida, com a retirada de todos os seus inimigos da penitenciária, o PCC passou a reinar absoluto no local.

Roraima está sob situação de emergência com a migração desenfreada de venezuelanos desde o dia 4 de dezembro, em decreto da governadora Suely Campos (PP).

O sindicato dos agentes penitenciários de Roraima faz um alerta de que os venezuelanos podem superar o número de brasileiros nos presídios do estado em dois anos.

E alerta: não há como impedir, hoje, novos massacres entre as facções nos presídios roraimenses.

Leia a matéria completa de Marco Antônio Carvalho, enviado especial de O Estado de S. Paulo a Boa Vista.

 

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