A mudança de Artur
Publicado em: 09/01/2013 às 00:00 | Atualizado em: 09/01/2013 às 00:00
Ivânia Vieira*
Os primeiros oito dias da gestão tucana na administração de Manaus revelam fortes mudanças na forma de atuação de Artur Virgílio Neto.
No primeiro mandato de prefeito (1989/1992), Artur relegou a segundo plano a superexposição da imagem dele. Era possível afirmar, naquela época, a negação do ex-parlamentar a condutas de caráter populistas. Até a campanha vitoriosa pela Prefeitura de Manaus, no ano passado, Artur recorreu a esse perfil lembrando no horário eleitoral gratuito a referência feita a ele como “prefeito tatu” por conta da obras de tubulação feitas. Um “serviço invisível” que não produz votos, diriam mais tarde alguns dos seus aliados e ele próprio.
Nesses dias de prefeito do século 21, o que se assiste é um marketing pesado em execução em torno da imagem de Artur Neto. Há uma exploração exacerbada em várias posses, com diferentes vestimentas e numa sucessão de atos que atropelam espetacularmente a atuação da imprensa.
O que o prefeito Artur Neto ora faz se assemelha ao que fizeram, em larga escala, políticos como Gilberto Mestrinho (falecido em 2009) e Amazonino Mendes. Aliás, Amazonino que sucedeu Artur no executivo municipal (1993-1994) recorreu a um barulho grande ao chegar à prefeitura criando a sensação de grandes e imediatas mudanças no ritmo de administrar a cidade.
Ex-assessores de Artur, à época, comentavam surpresos o recurso utilizado para enterrar a gestão Artur e promover a ideia de que tudo estava começando a partir de Amazonino.
É no mínimo interessante ver, hoje, Artur Virgílio nessa outra configuração. O político do discurso forte, da oposição ativa, como gestor, na maturidade, aceitou vestir a jaqueta de gari, dirigir caminhão…
Há uma alegria fotográfica com essas cenas. E há uma cidade que precisa de muito mais. Nesse marketing, o prefeito será o fiel da própria balança.
*Jornalista, professor do curso de Comunicação da Ufam.
