Antropólogo entrega filme sobre patrimônio imaterial de Itacoatiara

Produção retrata festas, memórias e identidades locais com depoimentos de mestres de cultura e historiadores.

Wilson Nogueira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 28/08/2025 às 18:47 | Atualizado em: 28/08/2025 às 18:50

O antropólogo e bacharel em Direito Eder Gama entregou aos internautas o documentário “Itacoatiara patrimônio cultural: para além do cal e da pedra”, que apresenta flashes de impacto das identidades e memórias das sociedades antigas e contemporâneas itacoatiarense.

O subtítulo remete à confluência das pinturas rupestres – e seus significados – dos primeiros indígenas que habitaram a região e às culturas colonizadoras.

Vale lembrar que Itacoatiara significa “pedra pintada” em nheengatu, língua intertribal falada amplamente na região até o começo do século 20.

Os habitantes pré-coloniais usavam as pedras como suportes para desenhos e sinais que eternizaram seus vestígios culturais e conhecimentos.

Essas inscrições até hoje aparecem nas padras descobertas pelas grandes enchentes, nos arredores e na frente da cidade.

O tema da “pedra e do cal” é tratado pelo autor em artigos e no livro infanto-juvenil “Descobrindo o patrimônio histórico de Itacoatiara”, lançado no começo deste ano.

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Mestres de cultura

O filme, por sua vez, registra a memória da cidade por meio de suas festas populares a partir de depoimentos de mestres de cultura, artistas e historiadores.

A proposta do filme, segundo Gama, é ter-se em mãos um documento audiovisual que possa ser usado em atividades culturais dentro e fora das salas de aula.

Ele lembra que, neste momento, a linguagem audiovisual atinge um publico maior e diversificado em razão da internet e suas redes sociais.

Resgate

Gama tem suas atividades culturais ligadas ao resgate e salvaguarda do patrimônio material e imaterial do município, com destaque para as festas populares religiosas e não religiosas.

O filme começa com a leitura do registro da festa do sairé na cidade, em dezembro de 1849, pelo naturalista e explorador inglês Henry Walter Bates (1825-1892), que ocorria em toda Amazônia segundo antropólogo maranhense Nunes Pereira (1893-1985).

Atualmente, o sairé persiste na vila de Alter do Chão, no município de Santarém, no oeste do Pará.

A apresentação conceitual do tema do filme é feita pelo antropólogo Mauro Augusto, vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que destaca a importância do tema para a salvaguardo do patrimônio material e imaterial do município.

Os demais participantes são: Frank Chaves (historiador), Thyrson Munhoz (documentarista), Alzira Nobre (artesã), Enock Alvez (coordenador da Festa da Fogueira de Lindóia), Danilo Monteiro (pároco da paroquia de Santo Antônio), Maria do Rosário (artesã e religiosa católica), Franceline Calixto (mãe-de-santo), Suellen Mayara Romão (psicóloga), Francisco Gomes (historiador e pesquisador), Hileia Palmeira (produtora cultural), Maria Gama (museóloga), Edgard Alecrim (artista plástico e publicitário), Thais Reis (turismóloga), Luiz Pinga (músico), Oscar (flautista), Luiz Bacurau (violonista), Quitó (tocador de banjo) e Magro (batuqueiro).

O filme tem o apoio cultural da Lei Federal Paulo Gustavo.

Veja o filme

Fotos; Wilson Nogueira/especial para o BNC Amazonas