Quem vai parar desmatamento da floresta pelo agro no sul do Amazonas?
Apuí e Lábrea seguem, há muito tempo, batendo recordes
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 01/09/2025 às 10:24 | Atualizado em: 01/09/2025 às 10:46
Os municípios de Apuí e Lábrea, no sul do Amazonas, são hoje o retrato mais evidente da pressão do agronegócio sobre a floresta. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, os dois municípios derrubaram juntos 277 km² de vegetação nativa, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
O problema se arrasta há anos, com repetidos recordes de desmatamento e degradação, e coloca em xeque a capacidade do Estado de conter a expansão desordenada da pecuária e da extração ilegal de madeira na região.
Estudos mostram que a maior parte do desmatamento nos municípios está ligada à abertura de áreas para pasto e ao avanço da fronteira agropecuária. Apenas dez municípios da Amazônia Legal, incluindo os dois, responderam por 27% de toda a floresta derrubada no último ano.
A pesquisadora Manoela Athaíde alerta que o impacto vai além da derrubada de árvores: a degradação florestal, causada por queimadas e exploração madeireira, quase quadruplicou no último ano.
“A degradação fragiliza a floresta, aumenta a emissão de carbono e deixa a Amazônia ainda mais vulnerável, ameaçando sua biodiversidade e as populações locais”, destacou.
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Governo tenta reagir
Apuí e Lábrea também estão entre os 21 municípios que concentram metade dos focos de incêndio da Amazônia. Para enfrentar o problema, o governo federal anunciou a instalação de bases interfederativas em pontos estratégicos, incluindo uma em Apuí.
Segundo a ministra Marina Silva, o esforço será coletivo, mas depende de frear as ações criminosas que se aproveitam da seca e da alta temperatura:
“Ações criminosas serão punidas com todo o rigor que a lei oferece”.
O desafio que permanece
Com mais de 3 mil brigadistas do Ibama e ICMBio em campo, sendo quase metade na Amazônia, o governo tenta retomar a governança ambiental. Mas a repetição dos recordes em Apuí e Lábrea mostra que os esforços ainda esbarram no poder econômico do agro e na grilagem de terras.
Exemplos como o programa Município Verde, em Paragominas (PA), que reduziu 90% da derrubada em apenas um ano, indicam que é possível mudar o cenário com pactos locais entre governo, produtores e sociedade civil. Mas, no sul do Amazonas, a resposta ainda está em aberto: quem, de fato, vai parar o desmatamento?
Foto: Anadolu Agency/Getty Images
