Estudo revela tamanho do dano do desmatamento para chuvas na Amazônia
Pesquisa indica que corte raso responde por 75% da queda nas chuvas desde 1985.
Publicado em: 03/09/2025 às 09:10 | Atualizado em: 03/09/2025 às 09:10
Quase três quartos da redução de chuvas na estação seca da Amazônia têm ligação direta com o desmatamento. A conclusão faz parte de um estudo publicado nesta terça-feira (2) na revista Nature Communications.
A pesquisa, conduzida por cientistas brasileiros e estrangeiros, calculou que a floresta deixou de receber ao menos 15,8 milímetros de chuva por estação devido ao corte raso. O levantamento mostra que a derrubada da mata tem peso maior sobre o regime hídrico do que as mudanças climáticas globais.
Além da chuva, a temperatura máxima do ar também subiu cerca de 2 °C desde 1985, sendo 16,5% desse aumento ligado diretamente à devastação.
O professor Marco Aurélio de Menezes Franco, da USP, que liderou o estudo, reforçou: “Este resultado mostra o quão importante é preservar a floresta e trabalhar com ela da forma mais sustentável possível”.
Os efeitos vão além do bioma. A perda de cobertura vegetal enfraquece os “rios voadores”, que levam umidade da Amazônia para o Centro-Oeste e o Sudeste, afetando o agronegócio. A produtividade das safras secundárias já sofre com a diminuição das chuvas.
O estudo ainda alerta que, se o ritmo atual se mantiver, até 2035 a Amazônia enfrentará queda adicional de 28,3 milímetros de precipitação por estação seca e aumento de 2,64 °C na temperatura máxima. Os cientistas ressaltam que esses dados serão cruciais para debates da COP-30.
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