O show teatral de Michelle no choro que não borrou maquiagem
Pannunzio aponta encenação de TV e Kfouri ironiza a credibilidade da emoção exibida na Paulista
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 08/09/2025 às 23:38 | Atualizado em: 08/09/2025 às 23:55
O discurso de Michelle Bolsonaro no ato de 7 de setembro, na avenida Paulista, em São Paulo, teve um dos momentos mais comentados do evento: o choro da mulher de Bolsonaro.
Nas redes sociais, internautas ironizaram a cena, muitos classificando-a como “choro calculado”, e destacando que, se lágrimas houve, não borraram nem a maquiagem impecável.
Mas, a repercussão não ficou restrita ao público.
No programa “Desperta ICL”, o jornalista Fernando Pannunzio foi direto ao apontar que não se tratou de uma emoção espontânea, mas de um recurso cuidadosamente produzido para a transmissão.
A encenação técnica
“Era um choro feito para a câmera. O enquadramento abria quando ela falava e fechava em alguém do público chorando. Isso é recurso de direção de TV, não improviso.”
Para Pannunzio, o jogo de close e plano aberto não foi acidental: ao alternar entre a imagem de Michelle emocionada e rostos comovidos na plateia, o evento construiu um roteiro visual pensado para reforçar a narrativa de comoção e vitimização.
Um efeito que, segundo ele, visa ampliar o impacto emocional sobre a audiência, ao vivo e, principalmente, nos recortes que circulam nas redes.
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A ironia certeira de Kfouri
No “ICL Notícias”, o comentarista Juca Kfouri dispensou o olhar técnico e preferiu atacar a credibilidade do choro de forma direta e mordaz:
“Quem acredita no choro de Michelle Bolsonaro acredita em tudo, inclusive que a Terra é plana.”
A frase viralizou e foi compartilhada como um contraponto ácido ao momento exibido no palco.
Para Kfouri, a performance faz parte de um roteiro político de apelo emocional, mas carente de autenticidade.
Entre emoção e estratégia
A reação crítica ao choro de Michelle evidencia como atos públicos podem mesclar emoção e cálculo político.
Do enquadramento de câmera à escolha das palavras, passando pela imagem de maquiagem intacta mesmo no auge da emoção, tudo parece ter sido orquestrado para criar um efeito específico no espectador.
No palco político, lágrimas também podem ser roteirizadas. O 7 de setembro de São Paulo deixou claro que, para alguns, esse roteiro é tão visível quanto as bandeiras que tremulavam no local.
Foto: reprodução/YouTube
