Lula diz que BR-319 sai com regras e respeito ambiental
Lula promete BR-319 com pacto político e responsabilidade ambiental, em meio a impasses.
Publicado em: 09/09/2025 às 17:07 | Atualizado em: 09/09/2025 às 17:07
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou, em entrevista à Rede Amazônica nesta segunda-feira (8/9), que a recuperação da BR-319 será realizada, mas condicionada a um pacto político e à responsabilidade ambiental. Lula buscou blindar a ministra Marina Silva das críticas, afirmando que ela não se opõe à obra, mas exige critérios técnicos.
O gesto reforça o equilíbrio político que o presidente tenta construir: atender ao clamor de parlamentares da região Norte pela recuperação da rodovia, sem abrir mão do discurso de preservação ambiental que sustenta sua imagem internacional.
O presidente enfatizou que a BR-319 só será viável mediante um pacto envolvendo União, estados e municípios, em mais um aceno político que deixa claro que a decisão sobre a estrada extrapola o campo técnico e ambiental.
Importância estratégica da rodovia
Com 885,9 quilômetros de extensão, sendo 821 km no Amazonas e 64,9 km em Rondônia, a BR-319 é a única ligação terrestre entre Manaus e o restante do país.
Desde 1976, conecta capitais e municípios estratégicos como Humaitá, Lábrea e Manicoré, mas sofre com trechos intransitáveis há mais de 30 anos. A falta de pavimentação gera prejuízos econômicos e logísticos, afetando tanto o escoamento da produção quanto o abastecimento da população.
Entraves ambientais e a atuação do Ministério
Apesar da promessa presidencial, a recuperação da rodovia segue paralisada por entraves ambientais. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, comandado por Marina Silva, determinou a realização de uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) sobre os impactos da BR-319.
A medida, conduzida por uma comissão interministerial, inclui análise de uma faixa de 100 km ao redor da estrada, abrangendo terras indígenas e áreas de conservação.
Além disso, a Justiça Federal suspendeu a licença prévia para o trecho central da rodovia, acatando argumentos de organizações ambientais que alertam para riscos como abertura de ramais ilegais e especulação fundiária.
Leia mais
Placas pela BR-319 esperam Lula em Manau
A Advocacia-Geral da União (AGU), por outro lado, defende a manutenção da licença, ressaltando que mais da metade do entorno já é protegida por unidades de conservação.
Leia mais no g1
Foto: Ricardo Stuckert / PR
