Amazônia: estudo aponta redução de doenças com conservação de terra indígena

Áreas protegidas por povos indígenas contribuem para diminuir incidência de doenças respiratórias e transmitidas por vetores

Amazônia: estudo aponta redução de doenças com conservação de terra indígena

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 15/09/2025 às 13:04 | Atualizado em: 15/09/2025 às 13:04

Um estudo publicado na quinta-feira (11) na revista científica Communications Earth & Environment, do grupo Nature, aponta que a conservação dessas áreas contribui para reduzir doenças respiratórias, cardiovasculares e transmitidas por vetores em países da bacia amazônica.

Assim, as terras indígenas desempenham papel decisivo não apenas na preservação da biodiversidade, mas também na saúde das populações amazônicas.

De acordo com a informação da Folha de S.Paulo, a pesquisa — financiada pela Fundação Ford — reuniu especialistas de oito países da região, com destaque para o Brasil, que concentra cerca de 60% da floresta.

Além do território brasileiro, o estudo abrange dados de Colômbia, Bolívia, Peru, Guiana Francesa, Venezuela, Suriname e Equador, faltando apenas a colaboração da Guiana.

Segundo os pesquisadores, os incêndios florestais em regiões tropicais e subtropicais são responsáveis por 90% das emissões globais de material particulado fino (MP2,5), prejudicando a qualidade do ar e impactando a saúde respiratória das populações locais.

Por exemplo, entre 2001 e 2019, foram identificados 28,4 milhões de casos de 21 doenças associadas a incêndios florestais, zoonóticas ou transmitidas por vetores, com taxa de incidência média de 556,96 por 100 mil habitantes.

Desse total, as doenças relacionadas a incêndios florestais representaram 80,3% dos casos (22,8 milhões), sendo as respiratórias as mais comuns (79,4%). Já as cardiovasculares corresponderam a 0,87%.

As enfermidades zoonóticas e transmitidas por vetores somaram 19,7% dos registros (5,6 milhões), com destaque para a malária (92,6% desses casos). Leishmaniose cutânea (5,57%), doença de Chagas (1,60%) e leishmaniose visceral (0,12%) foram menos frequentes. Venezuela, Suriname e Peru registraram as maiores taxas de incidência.

“O foco, inicialmente, era apenas na Amazônia brasileira e nas doenças relacionadas a incêndios. E então estendemos para uma segunda fase para compreender se os efeitos se mantinham quando olhávamos para o bioma inteiro e outros aspectos da saúde humana”, explicou à Folha de S.Paulo a bióloga Paula Priest, pesquisadora da Organização Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Para a cientista, os resultados confirmam a importância do manejo sustentável feito pelos povos indígenas:

“Isso traz uma evidência muito grande do papel dos territórios indígenas, assim como outras áreas florestais. O manejo sustentável dos povos tradicionais consegue fornecer esse serviço que beneficia a saúde de populações que não estão necessariamente perto desses territórios.”

Portanto, o estudo reforça que políticas públicas voltadas à proteção das terras indígenas e à prevenção de incêndios florestais são estratégicas não apenas para o equilíbrio ambiental, mas também para a saúde pública nos países amazônicos.

Leia mais em Folha de São Paulo/Uol.

Leia mais

Florestas manejadas por indígenas ajudam a prevenir doenças, diz estudo

Foto: Ascom/ministério da Defesa