Manicoré reage à PF contra garimpeiros e denuncia profanação de dia santo

PF divulga que 71 balsas foram queimadas e prefeito diz que mais de 60 em frente à igreja de Nossa Senhora das Dores

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 15/09/2025 às 15:49 | Atualizado em: 15/09/2025 às 15:49

A Prefeitura de Manicoré e a Câmara de Vereadores divulgaram nota de repúdio nesta segunda-feira (15 de setembro) acusando a Polícia Federal (PF) e outros órgãos de “profanar” a data santa da cidade ao promoverem a destruição de balsas de garimpeiros no porto da igreja matriz Nossa Senhora das Dores.

Conforme a nota assinada pelo prefeito, a ação coincidiu com o feriado religioso em homenagem à padroeira, interrompendo as festividades de fé e devoção da comunidade.

O prefeito falou em 100 balsas queimadas na orla da cidade, sendo mais de 60 delas em frente à igreja de Nossa Senhora das Dores. A PF informou que foram 71.

O dia marca os 150 anos de devoção do povo à santa, o que ampliou a indignação local.

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Operação mira garimpeiros

Vídeos divulgados pelo BNC Amazonas mostram a destruição das balsas e dragas durante a operação federal contra garimpeiros de ouro no sul do Amazonas.

As imagens evidenciam o uso de explosivos e fogo como método de inutilização das estruturas. Assista:

A operação Boiúna, coordenada pelo Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI) tem participação de agentes da PF, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal e outros órgãos. Até o momento não se manifestaram sobre a acusação feita pela Prefeitura de Manicoré.

Riscos e acusações

A nota da prefeitura aponta que as explosões decorrentes da queima das balsas geraram risco de desbarrancamento e colocaram em perigo moradores que vivem nas proximidades do porto.

Além disso, denuncia que os bens destruídos eram meios de vida de famílias que vivem do “garimpo artesanal”.

“É essencial que todos possam coexistir em harmonia, com dignidade e segurança, e que suas formas de vida sejam respeitadas”, afirma o texto.

O que ainda falta esclarecer

– A justificativa da PF e do Ibama para realizar a operação no feriado religioso.

– O número exato de famílias prejudicadas pela destruição das balsas.

– Se haverá medidas de reparação ou diálogo com a comunidade.

Leia a nota de Manicoré:

Fotos: Reprodução