COP-30: 43% rejeitam Belém como sede, aponta pesquisa

Levantamento Ipsos/Ipec revela divisão entre brasileiros e expõe dúvidas sobre logística e infraestrutura

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 15/09/2025 às 22:42 | Atualizado em: 16/09/2025 às 18:27

A pouco mais de dois meses da realização da COP-30, em Belém (PA), uma nova pesquisa do Ipsos-Ipec divulgada nesta segunda-feira (15 de setembro) revela um cenário de divisão entre os brasileiros quanto à escolha da capital paraense como sede da conferência climática mais importante do mundo.

Segundo o levantamento, 43% dos entrevistados desaprovam a escolha, enquanto apenas 33% consideram apropriado o local. Outros 24% não souberam ou preferiram não opinar.

Rejeição na logística e infraestrutura

Entre os motivos apontados para a rejeição, aparecem dificuldades de acesso aéreo, hospedagem cara e dúvidas sobre a infraestrutura urbana para receber milhares de delegados e chefes de Estado.

O debate em torno da capacidade de Belém de sediar a conferência ganha força à medida que os prazos de obras e investimentos encurtam.

A pesquisa ouviu cerca de 2.000 pessoas acima de 16 anos, em 132 municípios entre os dias 4 e 8 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais.

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Diferenças regionais no apoio

Embora os dados nacionais indiquem rejeição maior, o levantamento mostra maior aprovação na região Norte, onde a população tende a associar a COP-30 à valorização da Amazônia no cenário global.

Já nas regiões Sul e Sudeste, predomina o ceticismo, sobretudo por conta das dificuldades logísticas.

Essa divisão revela como o evento se tornou também um tema de disputa regional: para uns, a COP-30 é oportunidade histórica de colocar a Amazônia no centro das decisões climáticas; para outros, é um risco de fracasso organizacional que pode afetar a imagem do Brasil.

Investimentos para preparar Belém

Para tentar reverter a desconfiança, governos federal e estadual vêm anunciando uma série de medidas. Entre elas estão obras de mobilidade urbana, reformas no aeroporto internacional, ampliação da rede hoteleira e investimentos em saneamento e segurança pública.

O Ministério do Turismo, por exemplo, já liberou recursos para modernização da infraestrutura de hospedagem e qualificação profissional. Além disso, está prevista a construção de um centro de convenções de grande porte para abrigar os debates oficiais e eventos paralelos.

Apesar dos anúncios, especialistas alertam que os prazos são apertados e que muitas obras ainda estão em fase inicial, reforçando a preocupação da opinião pública.

Destaques da pesquisa Ipsos/Ipec

•⁠ ⁠43% desaprovam Belém como sede

•⁠ ⁠33% aprovam a escolha

•⁠ ⁠24% não opinaram

•⁠ ⁠2.000 entrevistados em 132 municípios

•⁠ ⁠Coleta entre 4 e 8 de setembro

•⁠ ⁠Margem de erro: 2 pontos percentuais

O desafio da confiança

A rejeição de quase metade dos brasileiros à escolha de Belém expõe não apenas preocupações práticas, mas também a descrença na capacidade do Estado brasileiro de entregar eventos à altura das promessas internacionais.

Enquanto o governo aposta na COP-30 como vitrine global da Amazônia, a opinião pública ainda oscila entre orgulho e desconfiança.

O relógio, porém, corre contra: o Brasil tem pouco mais de dois meses para provar que pode transformar a conferência em um marco positivo, e não em um fiasco logístico.

Foto: Raphael Luz/Agência Pará