Sobral Santos II: 44 anos da tragédia que matou 340 e ainda ecoa nos rios da Amazônia

Naufrágio de 1981 expôs falhas que continuam provocando acidentes fatais em embarcações amazônicas, da superlotação à falta de fiscalização.

Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 19/09/2025 às 13:30 | Atualizado em: 19/09/2025 às 13:41

Hoje, 19 de setembro, o rio Amazonas relembra um dos episódios mais sombrios de sua história fluvial: o naufrágio do Sobral Santos II, em 1981.

Naquela madrugada, durante a rota entre Santarém e Manaus, o barco afundou em Óbidos, no Pará, vitimando mais de 340 pessoas.

O barco tinha capacidade para 500 passageiros e 200 toneladas de carga. Porém, transportava cerca de 530 pessoas, além de mercadorias que ultrapassavam o permitido.

Por volta das três da manhã, uma corda de amarração rompeu. O barco inclinou, enquanto sacos de farinha, caixas de tomate e engradados de bebidas se deslocavam.

O pânico tomou conta. Passageiros correram desordenadamente, agravando o desequilíbrio. Em menos de dez minutos, o Sobral Santos II afundou nas águas do rio Amazonas.

Sobreviventes enfrentaram a escuridão, a correnteza e até cardumes de piranhas. Muitos corpos nunca foram encontrados, deixando famílias mergulhadas em dor.

A embarcação havia iniciado sua trajetória pouco mais de um ano antes. Sua primeira viagem foi em 26 de agosto de 1980. 

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O retrato dos naufrágios na Amazônia

Quase meio século depois, os rios continuam palco de tragédias semelhantes. As causas permanecem as mesmas, apesar das lições deixadas por desastres como o Sobral Santos II e o Ana Maria VIII.

Entre 2017 e 2020, de acordo com levantamento de seis Capitanias dos Portos da Amazônia, houve ao menos 142 naufrágios em que 180 pessoas perderam a vida.

Casos recentes reforçam o alerta. Em fevereiro deste ano, um naufrágio envolvendo indígenas ocorreu no rio Javari. Em agosto, um temporal provocou outra tragédia em Maués. Já em 2024, em Jutaí, vitimando duas pessoas.

As principais causas seguem claras: erro humano, embarcações precárias, superlotação e falta de fiscalização. Condições naturais, como troncos submersos e temporais, só aumentam o risco.

O transporte fluvial segue como principal via da Amazônia. No entanto, longas distâncias e áreas remotas dificultam o controle e tornam a fiscalização praticamente ausente.

Além disso, a falta de alternativas acessíveis obriga comunidades a aceitar viagens em barcos frágeis, superlotados e mal equipados, onde a segurança não é prioridade.

O naufrágio do Sobral Santos II não é apenas uma lembrança distante. Ele se tornou um espelho doloroso das fragilidades que ainda persistem nos rios amazônicos.

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Foto: reprodução/YouTube