Governo vai fortalecer doação e transplante de órgãos no Amazonas
Anúncio foi feito nessa quinta-feira, 25, pelo Ministério da Saúde ao laçar ação inédita para incentivar a doação de órgãos e reverter recusa de 45% das famílias
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 26/09/2025 às 06:22 | Atualizado em: 26/09/2025 às 06:22
O Amazonas está entre os estados contemplados pela nova Política Nacional de Doação e Transplantes (PNDT). A ação foi lançada nessa quinta-feira, 25, pelo Ministério da Saúde. O programa prevê investimentos em infraestrutura hospitalar.
Nesse caso, ele prevê a construção e equipagem de novos centros cirúrgicos que permitirão a realização de transplantes de forma mais segura em regiões que hoje enfrentam limitações.
No Norte, além do Amazonas, Pará e Rondônia também aparecem como destaques da iniciativa.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida visa descentralizar os transplantes. Dessa forma, pretende ampliar o acesso em estados que historicamente tiveram menos procedimentos devido à falta de estrutura.
“Queremos que regiões como o Norte tenham mais condições de realizar transplantes, com segurança e qualidade, próximos das famílias dos pacientes”, afirmou.
Reduzir a recusa familiar
A prioridade do programa é reverter a recusa de doação de órgãos por parte das famílias. Atualmente, a recusa chega a 45% no Brasil. Para isso, foi o governa federal criou o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot).
Com isso, o Prodot vai destinar R$ 7,4 milhões anuais para incentivar equipes hospitalares que atuam diretamente no processo de captação de órgãos — identificando potenciais doadores e dialogando com os familiares em um momento de luto.
O incentivo é inédito: pela primeira vez, os profissionais serão reconhecidos financeiramente conforme volume de atendimentos e desempenho, incluindo o aumento das doações.
“A principal mensagem que queremos passar às famílias é a segurança e a seriedade do Sistema Nacional de Transplantes, reconhecido mundialmente. Quando um profissional de saúde aborda uma família, ele carrega esse reconhecimento e atua dentro de um sistema sólido e seguro. Ao mesmo tempo, reforçamos a importância de o doador manifestar à família o desejo de doar. Esse gesto, mesmo em um momento de dor, pode salvar a vida de três ou quatro pessoas e manter viva a memória do ente querido. Por isso, estamos investindo também na formação e orientação dos profissionais, para que saibam acolher e apoiar as famílias nesse processo tão delicado.”, ressaltou o ministro Alexandre Padilha.
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Campanha “Você diz sim, o Brasil inteiro agradece”
Atualmente, mais de 80 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, o que reforça a importância de valorizar quem atua diretamente na sensibilização das famílias. A campanha de incentivo a doação de órgãos deste ano do Ministério da Saúde, que começa a ser veiculada neste mês, reforça a importância de todos informarem a sua família sobre a decisão de doar órgãos.
São as famílias que decidem pela doação ainda no hospital. Com o mote, “Doação de Órgãos. Você diz sim, o Brasil inteiro agradece. Converse com a sua família, seja um doador”, apresenta um caso real de uma mãe que disse sim à doação de órgãos do seu filho. E a história de profissionais da saúde que atuam desde o acolhimento das famílias até o transplante do órgão.
Inclusão de novos transplantes no SUS
O evento de lançamento da campanha de doação de órgãos de 2025 do Ministério da Saúde, realizado no Hospital do Rim em São Paulo, marcou a assinatura da portaria que cria a Política Nacional de Doação e Transplantes (PNDT). É a primeira vez que a política foi descrita em portaria específica, desde a criação do sistema em 1997.
A política inédita organiza de forma clara os princípios e diretrizes do SNT, reforçando a ética, a transparência, o respeito ao anonimato e a gratuidade no acesso pelo SUS.
“A nova Política e o Regulamento Técnico representam um avanço importante para o Sistema Nacional de Transplantes. A redistribuição macrorregional garante que os órgãos sejam direcionados de forma mais eficiente, respeitando as malhas aéreas e assegurando que cheguem mais rapidamente aos hospitais. Isso amplia a possibilidade de transplantes em regiões que hoje realizam menos procedimentos e fortalece a equidade no acesso. Essa iniciativa se soma a outras ações do Ministério da Saúde, o Agora Tem Especialistas, que leva investimentos a hospitais com estrutura adequada e apoio por meio da telessaúde, criando condições para que mais transplantes sejam realizados em todo o país”, afirmou, Alexandre Padilha.
Um dos avanços mais significativos é a regulamentação dos transplantes de intestino delgado e multivisceral, agora incluídos no SUS. A medida garante que pacientes com falência intestinal tenham 100% do tratamento ofertado na rede pública de saúde, desde a reabilitação intestinal até os procedimentos pré e pós-transplante.
Inicialmente, cinco centros em São Paulo e no Rio de Janeiro estão autorizados a realizar o procedimento, com expectativa de ampliar o número de unidades habilitadas nos próximos anos. O novo Regulamento Técnico do SNT também prevê o reajuste da diária de reabilitação intestinal, que passou de R$ 120 para R$ 600, um aumento de 400%.
Outra inovação é a incorporação do uso rotineiro da membrana amniótica, tecido obtido da placenta após o parto, para pacientes queimados, em especial crianças. O procedimento favorece a cicatrização, reduz o risco de infecções e diminui a dor, beneficiando mais de 3,3 mil pessoas por ano.
Modernização e novas tecnologias
A política também estabelece a realização da prova cruzada virtual, exame feito remotamente para avaliar a compatibilidade imunológica entre doador e receptor. Esse recurso reduz riscos de rejeição, traz mais segurança e garante maior agilidade em situações de urgência, permitindo que o transplante aconteça o mais rápido possível.
A criação de critérios específicos de priorização para pacientes hipersensibilizados, grupo que, após transfusões sanguíneas ou gestações, desenvolve anticorpos que dificultam a compatibilidade é mais um avanço. A medida reduz o tempo de espera e amplia as chances de sucesso nos transplantes renais, impactando diretamente a qualidade de vida dessas pessoas.
No campo dos transplantes de medula óssea, o teste de quimerismo, exame de DNA utilizado para monitorar a rejeição e orientar condutas médicas, passa a ser ofertado de forma regular.
Liderança mundial
O Brasil ocupa a 3ª posição mundial em número absoluto de procedimentos, atrás apenas de Estados Unidos e China, mas lidera em transplantes realizados integralmente por um sistema público.
Foto: Rafael Nascimento/MS
