Suspeitas contra vereador da Compensa vão muito além das ‘rachadinhas’

Gaeco investiga organização criminosa, lavagem de dinheiro e esquema com 50 servidores; Justiça bloqueou R$ 2 milhões e apreendeu cheques de R$ 500 mil

Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 03/10/2025 às 19:24 | Atualizado em: 03/10/2025 às 19:24

Um esquema que, segundo o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), envolve organização criminosa, peculato, concussão e lavagem de dinheiro, colocou o vereador de Manaus Rosinaldo Bual (Agir) no centro de uma das maiores investigações recentes do Gaeco.

A Justiça já determinou o bloqueio de R$ 2 milhões do parlamentar e de sua chefe de gabinete para garantir o ressarcimento aos cofres públicos.

A operação, deflagrada nesta sexta-feira (3 de outubro), cumpriu dois mandados de prisão preventiva, contra Bual e a chefe de gabinete, e 17 de busca e apreensão em endereços ligados ao vereador.

Durante as buscas, foram apreendidos três cofres (na casa do parlamentar, na residência da mãe dele e em um sítio).

Um dos cofres, aberto com apoio do Corpo de Bombeiros, revelou dois cheques que somavam mais de R$ 500 mil em nome de um dos investigados.

“O dinheiro ia primeiramente para quatro a cinco pessoas da equipe dele e depois era revertido em benefício do parlamentar”, disse o promotor Leonardo Tupinambá, coordenador do Gaeco.

Esquema com 50 servidores

As investigações apontam que cerca de 50 funcionários do gabinete teriam participado do esquema conhecido como rachadinha.

O MP-AM apura ainda se os recursos eram usados para agiotagem, mas nega que a operação esteja relacionada ao tráfico de drogas.

Antecedentes e conexões

O caso atual remete a um episódio de abril deste ano, quando o assessor e afilhado de Bual, Gabriel Ferreira Barbosa, foi preso por furtar R$ 130 mil em espécie do cofre do vereador.

Ele é filho da chefe de gabinete Luzia Seixas Barbosa, que agora também está presa.

Perfil político e território

Natural de Manacapuru, Rosinaldo Ferreira da Silva, o Rosinaldo Bual, construiu carreira como sargento do Exército, instrutor e empresário de auto-escolas em Manaus. Ele se elegeu vereador em 2016, reelegeu-se em 2020 e novamente em 2024, consolidando sua base na Compensa, zona oeste de Manaus, área historicamente dominada por facções criminosas e onde vive o “chefão” Zé Roberto da Compensa, hoje preso em regime de segurança máxima.

Nos últimos anos, o gabinete do parlamentar cresceu em número de servidores e volume de recursos movimentados, agora sob investigação do MP-AM.

A denúncia formal deve ser apresentada à Justiça na próxima semana.

Foto: MP
Foto: MP
Foto: MP

Quem é Rosinaldo Bual

– Vereador eleito em 2016, reeleito em 2020 e 2024.

– Ex-sargento do Exército e empresário do setor de autoescolas.

– Construiu base eleitoral na Compensa, zona oeste de Manaus.

O que está em jogo

– Investigação por organização criminosa, peculato, concussão e lavagem de dinheiro.

– Suspeita de rachadinha envolvendo cerca de 50 servidores do gabinete.

– Justiça determinou bloqueio de R$ 2 milhões e apreendeu cofres com cheques de meio milhão.

O papel da chefe de gabinete

– Luzia Seixas Barbosa, presa junto com o vereador.

– É mãe de Gabriel Ferreira Barbosa, assessor que em abril furtou R$ 130 mil do cofre de Bual.

– Segundo o MP, tinha papel central na engrenagem financeira do gabinete.

*Colaboração da Redação do BNC Amazonas.

Foto: BNC Amazonas