Polícia Federal amanhece em condomínio de luxo em Manaus
Ação é parte da operação Xeque-Mate, que cumpre cinco mandados de prisão, cinco mandados de busca e apreensão e o sequestro de R$ 122 milhões em bens
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 06/10/2025 às 07:18 | Atualizado em: 06/10/2025 às 07:35
A Polícia Federal amanheceu nesta segunda-feira, dia 6, no Quinta das Laranjeiras, condomínio de luxo nas proximidades da avenida das Torres, em Manaus. Neste condomínio moram políticos e empresários.
O trabalho faz parte da operação Xeque-Mate que mira o tráfico de drogas na região.
A operação é sequência de uma investigação que apreendeu em setembro do ano passado duas toneladas de drogas em Manaus.
No condomínio, o foco dos policiais foi numa residência da Rua F. Três, onde viaturas se concentraram na frente dessa casa.

A Polícia Federal acabou de publicar informações sobre essa trabalho.
Leia abaixo
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/AM) deflagra, nesta segunda-feira (6/10), a Operação Xeque-Mate, desdobramento das Operações Torre 1, 2, 3 e 4, destinada a desarticular o principal núcleo de comando do crime organizado no estado do Amazonas.
Durante a ação, foram cumpridos cinco ordens de prisãoe cinco de busca e apreensão. Além disso, sequestro de bens no valor de R$ 122 milhões nas cidades de Manaus/AM e Guarujá/SP.
Manaus-Colômbia
As investigações detalharam o esquema de lavagem de dinheiro do alto escalão do grupo criminoso. Um líder criminoso mantinha-se ativo mesmo estando na Colômbia sob identidade falsa ao tempo da investigação, de onde expedia ordens diretas aos subordinados.
Conforme se apurou, o investigado foi vinculado à propriedade de parte de um carregamento superior a duas toneladas de drogas, apreendido em setembro de 2024, em Manaus/AM. Para dar aparência de legalidade aos lucros ilícitos, utilizava-se de terceiros e de um complexo esquema financeiro.
Para sustentar o esquema criminoso, foi montada uma rede de lavagem de dinheiro baseada no uso de fintechs, empresas de fachada e estruturas paralelas de pagamentos. As transações funcionavam por meio de aplicativos e permitiam movimentações com menor grau de fiscalização pelo sistema bancário tradicional. Assim, os criminosos conseguiam misturar valores ilícitos com operações legítimas, dando uma falsa aparência de legalidade ao dinheiro.
Ativos digitais
Com esse mecanismo, mais de R$ 122 milhões circularam na rede clandestina, sendo parte dos recursos posteriormente convertida em criptoativos. Há fortes indícios de que esses ativos digitais eram então enviados de volta ao exterior. Especialmente, esse destino era a Colômbia, como forma de pagamento direto a fornecedores de drogas.
A localização dos alvos pela Polícia Federal contou com o apoio estratégico da SEAI/AM, que forneceu subsídios de inteligência determinantes para o êxito das diligências. A cooperação policial com autoridades policiais colombianas também contribuiu para a operação policial.
A FICCO/AM é uma iniciativa de cooperação promovida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, sendo composta pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria de Estado e Segurança Pública, Polícia Civil do Amazonas, Polícia Militar do Amazonas, Secretaria Executiva-Adjunta de Inteligência, Secretaria de Administração Penitenciária e Secretaria Municipal de Segurança e Defesa Social, tendo como objetivo a integração e cooperação entre os órgãos de segurança pública em ações de prevenção e repressão ao crime organizado e à criminalidade violenta.
Foto: BNC Amazonas
