Presidente Figueiredo se despede de Sílvia Pacheco

Professora, educadora física e folclorista deixa legado de amor, dedicação e alegria após 39 anos na “Terra das Cachoeiras”

Presidente Figueiredo se despede de Sílvia Pacheco

Da Redação do BNC Amazonas*

Publicado em: 20/10/2025 às 07:45 | Atualizado em: 20/10/2025 às 07:45

O município de Presidente Figueiredo se despede da professora, educadora física e folclorista Sílvia Miquilina Pacheco de Souza, natural de Parintins e residente há quase quatro décadas na “Terra das Cachoeiras”.

É que a cidade amanheceu de luto neste domingo, 19 de outubro, pelo falecimento, aos 62 anos, da educadora, vítima de câncer.

Dessa forma, sua partida deixa um vazio profundo e um legado imensurável na educação, no esporte e na cultura local.

De Parintins a Presidente Figueiredo: uma vida dedicada ao ensino e ao esporte

Sílvia chegou a Presidente Figueiredo em 1984, vinda de Manaus, onde estudava no Centro de Informação e Treinamento dos Professores. Foi lá que descobriu sua paixão pelos esportes — corrida, futebol, voleibol e futsal. Como atleta fundista, representou empresas como Sanyo e CCE, conquistando o primeiro lugar em diversas edições da tradicional Corrida Duque de Caxias.

Reconhecida por seu talento e determinação, foi nomeada, dois anos depois, pelo então primeiro prefeito Mário Jorge Gomes da Costa, como a primeira professora de Educação Física e coordenadora municipal de esportes. Lecionou na Escola Estadual Maria Calderado, marcando o início de uma trajetória marcada por esforço e superação.

“No início, eu e meus colegas éramos regime especial. Quando as aulas acabavam, ficávamos desempregados. Eu saía vendendo jornais pra me manter, mas nunca desisti de ensinar”, costumava recordar com orgulho.

Formação exemplar e busca pelo conhecimento

Em 2002, Sílvia ingressou na primeira turma de Licenciatura em Educação Física da UEA em Presidente Figueiredo, concluindo depois o curso pela Universidade Nilton Lins.

Fez pós-graduação em Psicomotricidade e, sempre em busca de aprimoramento, viajou a Portugal, onde cursou Mestrado na Universidade da Madeira — um feito raro e inspirador para docentes do interior amazonense.

Até recentemente, lecionava na Escola Estadual Maria Eva dos Santos, mantendo acesa a esperança de ver “um futuro brilhante para a juventude, com escolas estruturadas e ensino de qualidade”, como gostava de dizer.

Folclorista, atleta e mulher de fé

Sílvia Pacheco foi muito além da sala de aula. Apaixonada pela cultura popular, foi presidente do Grupo JAF na Folia, criadora do Bloco das Piranhas e diretora da AFCAF, contribuindo para fortalecer o carnaval e as manifestações folclóricas de Presidente Figueiredo.

Sua energia era marca registrada: onde havia música e alegria, lá estava ela — com o sorriso largo e o coração generoso.

Torcedora apaixonada do Flamengo, foi referência para gerações de atletas, especialmente mulheres, incentivando a participação feminina no esporte.

Na fé, era católica fervorosa, sempre presente nas celebrações da igreja e nas ações comunitárias.

Uma despedida marcada por amor e gratidão

O irmão de Sílvia, Evandro Pacheco, prestou uma homenagem emocionada:

“A morte deixa uma dor que ninguém pode curar, mas o amor deixa memórias que ninguém pode apagar. Minha irmã foi exemplo de dedicação, força e generosidade. Lutou até o fim e partiu nos meus braços. Descanse em paz, mana. Te amarei eternamente.”

Além da carreira como educadora, Sílvia era também empresária e anfitriã da Pousada Menina Bonita, onde recebia visitantes e amigos com o mesmo carinho que dedicava aos alunos.

Legado eterno

O nome de Sílvia Pacheco ficará gravado na história de Presidente Figueiredo. Em cada escola, quadra, bloco carnavalesco ou festa popular, haverá sempre um pedacinho da sua alegria, da sua fé e da sua dedicação à vida.

*Com informações do site Koiote.

Foto: reprodução