Ação contra o Comando Vermelho expõe crise na segurança do Rio
Segundo as autoridades, criminosos usaram drones e explosivos para retardar o avanço das equipes, e mais de 50 ônibus foram roubados após ordens do tráfico para bloquear ruas.
Publicado em: 28/10/2025 às 16:44 | Atualizado em: 28/10/2025 às 16:45
A operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro deixou ao menos 64 mortos nesta terça-feira (28/10), nos complexos do Alemão e da Penha. A ação, conduzida pelas forças de segurança do governo Cláudio Castro (PL), tinha como alvo a expansão territorial do Comando Vermelho e resultou em confrontos intensos, barricadas e caos urbano.
De acordo com o governo estadual, a megaoperação envolveu mais de 180 endereços e 69 mandados de prisão.
Até a tarde, 81 pessoas haviam sido presas e 72 fuzis apreendidos.
Entre os mortos estão dois policiais civis e dois militares.
Segundo as autoridades, criminosos usaram drones e explosivos para retardar o avanço das equipes, e mais de 50 ônibus foram roubados após ordens do tráfico para bloquear ruas.
O governador Cláudio Castro classificou a ação como “a maior operação da história das forças de segurança do estado” e voltou a criticar o governo federal por falta de apoio no combate ao crime organizado.
Ele também atacou a ADPF 635 — a “ADPF das Favelas” —, que limita ações policiais em comunidades, afirmando que a medida favoreceu a expansão do tráfico.
A operação, planejada durante mais de um ano e baseada em investigações do Ministério Público e da Polícia Civil, visava capturar lideranças do Comando Vermelho, incluindo Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, principal chefe da facção na Penha e na zona oeste.
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) denunciou 67 pessoas por associação ao tráfico e tortura.
O secretário de Segurança, Victor Santos, reconheceu a gravidade da situação, afirmando que o estado “não tem condições de enfrentar o crime organizado sozinho”.
Leia mais
Manaus, o elo do narcotráfico com outro lado do Atlântico
O cenário de guerra urbana deixou moradores aterrorizados, com relatos de tiroteios constantes, escolas e postos de saúde fechados, e famílias chorando perdas de policiais e civis.
A operação reacende o debate sobre a política de segurança pública fluminense e o custo humano das operações em áreas dominadas pelo tráfico.
Leia mais na Folha de S.Paulo
Foto: RS/Fotos Públicas
