Lula entrega nova Belém ao Pará e ensina: ‘Quando há vontade política, a coisa sai’
Obras no Pará e petróleo no Amapá saíram do papel rapidamente, enquanto a BR-319 no Amazonas segue ao Deus dará
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 02/11/2025 às 07:58 | Atualizado em: 02/11/2025 às 07:58
Neste sábado (1º de novembro), o presidente Lula da Silva inaugurou em Belém (PA) duas grandes obras ligadas à realização da COP‑30: a requalificação do porto de Outeiro (na Ilha de Outeiro) e a ampliação e modernização do aeroporto internacional de Belém.
Na cerimónia, Lula afirmou:
"Quando existe disposição política de fazer as coisas acontecerem … a gente consegue”.
E prometeu que “Belém será outra cidade depois da COP”.
As intervenções combinam investimento público-federal, articulação local e cronograma célere:
• O porto, avaliado em cerca de R$ 233 milhões, ampliou sua estrutura logística e a capacidade de atraque, com capacidade para navios maiores e para atuação como “hotel flutuante” durante a COP-30.
• O aeroporto recebeu cerca de R$ 450 milhões em obras, dobrando sua capacidade anual para aproximadamente 13 milhões de passageiros.
Esse conjunto de entregas serve como vitrine do que é possível quando se articula governo federal, governo estadual, municípios e iniciativa privada.
E, sobretudo, quando há mobilização, segundo o lema “vontade política”.
Amazonas e a BR-319 travada há muito
Em contrapartida, no Amazonas permanece pendente a conclusão da rodovia BR‑319, que liga (em trecho crítico) Manaus (AM) a Porto Velho (RO).
A obra, muito esperada há décadas, segue travada por entraves ambientais, licenciamento e disputas políticas.
• A rodovia foi tema de debate na Comissão de Infraestrutura do Senado, quando senador do Amazonas chamou a pavimentação de “assunto emergencial” para o estado.
• Enquanto isso, a bancada do Amazonas tenta encaixar a BR-319 na MP 1.308/2025 – “LAE” (licença ambiental especial) para agilizar as obras.
• Por outro lado, organizações ambientais criticam o projeto, afirmando que a via pavimentada pode abrir caminho para desmatamento em grande escala.
Assim, enquanto o Amazonas se debate para derrubar barreiras ambientais, o Pará, estado que mais desmata na Amazônia, foi agraciado com um evento de nível internacional e o legado de progresso decorrente.
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Combustível na rivalidade nortista
Há um fator regional que dá tempero à história: entre amazonenses e paraenses existe uma tensão histórica e simbólica, especialmente no tema de investimentos federais na Amazônia.
• No Pará, a narrativa de “quando há vontade política” é celebrada como prova de que o Norte não precisa esperar décadas por infraestrutura.
• No Amazonas, o clamor é unido pela bancada estadual-federal, que reivindica que o estado “não seja deixado para trás” e que a BR-319 seja finalmente concluída.
• A frase de Lula — “Belém será outra cidade depois da COP” — serve ao Pará como tocha de avanço; ao Amazonas, como alerta: se “quando existe disposição política” resulta em entrega em seis meses, por que a rodovia segue estagnada?
Esse duelo simbólico entre os dois estados pode reverberar no meio político do Amazonas, que cobra atenção e recursos federais.
Frase como recado
A entrega no Pará mostra que, com mobilização e urgência, e a “vontade política”, obras podem sair do chão e gerar legado real para a região Norte.
O porto e o aeroporto que Lula ora presenteia Belém não só preparam a cidade para a COP-30, mas também podem transformar a logística, turismo e exportação de todo o estado.
Dessa forma, impõe-se necessária comparação com a situação do Amazonas e sua rodovia para sair do isolamento do restante do país.
Afinal, a BR-319 não é apenas uma obra de mobilidade: está associada a desenvolvimento, logística, integração nacional, embora também a riscos ambientais.
A demora histórica e frustante pela conclusão de 400 quilômetros da estrada deixa uma dúvida diante da frase de Lula neste sábado, se há suficiente vontade e articulação política do Amazonas para ser convertida em obra.
Em conclusão, diante da frase do presidente, de que “quando existe disposição política … a gente consegue”, promete ecoar na cabeça dos políticos uma questão:
Se no Pará, tudo virou realidade concreta em seis meses de obras, o que falta para que essa "disposição política" se dê no Amazonas?
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
