Polícia mata mais nos estados dos ‘governadores da paz’

Governadores aliados de Cláudio Castro ampliaram a letalidade policial e agora formam um “consórcio” que defende o massacre no Rio.

Publicado em: 03/11/2025 às 09:26 | Atualizado em: 03/11/2025 às 09:26

O discurso de paz dos governadores que apoiam Cláudio Castro (PL) não resiste aos números.
Nos estados que formam o autoproclamado “Consórcio da Paz”, as mortes causadas por policiais cresceram durante suas gestões, revelando o abismo entre retórica e prática.

Em Santa Catarina, Jorginho Melo (PL) parabenizou Castro pela operação que deixou mais de 120 mortos no Rio. No entanto, desde que assumiu o cargo, as mortes por intervenção policial subiram de 44, em 2022, para 79, mantendo-se no mesmo patamar em 2024.

O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) seguiu o mesmo tom. Chamou a megaoperação de “ato de coragem” e anunciou apoio ao colega fluminense. Mas, em Goiás, os registros de mortes por policiais ficaram sempre acima dos níveis de 2018, com variações entre 515 e 614 casos por ano, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

No Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) também aumentou a letalidade policial: 51 mortes em 2022, contra 133 no primeiro ano de governo. Em 2024, o número caiu, mas ainda superou a média anterior.

Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) preferiu participar do grupo à distância.
Sob sua gestão, as mortes por policiais cresceram, impulsionadas pela operação Escudo, que matou 28 pessoas em 40 dias.

No Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) registrou os dois anos mais letais desde o início da série histórica. E em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) defendeu o massacre no Rio, chamando-o de “operação bem-sucedida”. Ironia amarga: em 2024, seu estado bateu recorde de letalidade, com 200 mortos por ação policial.

Durante o lançamento do consórcio, realizado em 30 de outubro, no Palácio Guanabara, os governadores prometeram “integrar forças” no combate ao crime. Caiado chegou a criticar a ADPF das Favelas, decisão do Supremo Tribunal Federal que impõe limites às operações policiais.

Segundo ele, “a ADPF transformou o estado em uma zona livre do crime”.

Na prática, o Consórcio da Paz nasce marcado por uma contradição: pregam a ordem e colhem mais mortos.

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil