Justiça manda fechar delegacia-presídio em Envira por ação do MP-AM
Decisão reconhece estrutura precária, presos sem banho de sol e risco por ações de facção
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 03/11/2025 às 19:54 | Atualizado em: 03/11/2025 às 19:58
A Justiça do Amazonas determinou a interdição da 66ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Envira e de seu anexo prisional após ação civil pública do Ministério Público do Estado (MP-AM).
A decisão da juíza Patricia Campos estabelece prazo de 30 dias úteis para que a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) transfira mais de 30 presos para unidades regulares.
A medida foi tomada após inspeções apontarem redução drástica do efetivo, retirada da guarda municipal, acúmulo de funções e condições insalubres nas celas improvisadas.
Relatório recente registrou presos sem banho de sol e sem visitas familiares, além de mulheres custodiadas em espaço destinado anteriormente a policiais.
O MP também citou episódios de fugas, tentativas de fuga, sabotagens e ameaças de facção criminosa que, segundo o órgão, chegou a promover atos para causar pânico no município e tentar resgatar detentos.
Em nota, o promotor Christian Silva afirmou que a decisão reconhece um “problema estrutural gravíssimo” e disse que a situação representava risco à segurança pública e aos direitos mínimos de custodiados e servidores.
Medidas e prazos
A Justiça determinou que o governo apresente plano estruturante de médio e longo prazo, com cronograma e orçamento, para:
• impedir custódia definitiva de presos em delegacias
• pôr fim ao acúmulo de funções policial e prisional
• cumprir a lei 14.735/2023, garantindo delegacias voltadas exclusivamente à atividade de polícia judiciária
O descumprimento das obrigações acarretará multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 300 mil.
O MP informou que vai monitorar cada etapa, com fiscalização contínua e possibilidade de novas medidas judiciais.
Foto: divulgação/MP-AM
