Polarização fica só nas redes? Pesquisa aponta que sim

Novo estudo mostra que a maioria silenciosa não entra no duelo ideológico

A crise da democracia representativa

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 14/11/2025 às 18:00 | Atualizado em: 14/11/2025 às 18:00

Segundo estudo da More in Common, em parceria com a Quaest, apenas 11% do eleitorado se identifica com posições extremas: um grupo pequeno, mas muito barulhento no ambiente digital.

O dado central da pesquisa é outro: 54% da população é “desapaixonada de política”. São 88 milhões de brasileiros classificados como “invisíveis”, um bloco que evita o embate ideológico e não se engaja em debates ou mobilizações.

“Os invisíveis não compartilham notícias, não discutem com a família e não vão a protestos porque sentem que expressar opinião é um campo minado. Eles preferem ficar em silêncio”, afirma Pablo Ortellado, diretor da More in Common.

Ele destaca que esse grupo pensa de forma pragmática, priorizando serviços públicos e emprego.

Nas redes, porém, a percepção é oposta. Quase metade das publicações políticas cita Lula ou Jair Bolsonaro, criando a impressão de um país permanentemente dividido.

Para Pedro Bruzzi, da Arquimedes, isso acontece porque “uma minoria organizada consegue ter impacto relevante enquanto a maioria permanece dispersa”.

Outro ponto de moderação aparece na pesquisa Genial/Quaest: 24% dos entrevistados preferem, em 2026, um candidato sem vínculo com Lula ou Bolsonaro.

O estudo conclui que esse grupo será decisivo nas próximas eleições: um quarto dos “invisíveis” votou nulo, branco ou se absteve no pleito passado, indicando margem aberta para quem captar suas prioridades.

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Foto: Agência Brasil