Falas espontâneas de Lula acendem alerta eleitoral
Devido a declarações polêmicas, como a que chamou operação policial no Rio de "matança", a popularidade de Lula estagnou.
Publicado em: 16/11/2025 às 10:48 | Atualizado em: 16/11/2025 às 10:48
A trajetória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é marcada por discursos espontâneos e emocionais. Contudo, neste terceiro mandato, essa característica tem resultado em falas que repercutem negativamente e afetam sua popularidade, acendendo um alerta no governo a menos de um ano da eleição de 2026.
Controle e Espontaneidade em Conflito
Auxiliares do Palácio do Planalto reconhecem ser impossível controlar totalmente o presidente, pois seguir apenas roteiros prévios faria Lula perder a espontaneidade, considerada um de seus pontos fortes.
Diante disso, o plano da equipe, de olho no impacto eleitoral, é tentar orientar as manifestações do petista, munindo-o com informações e dados baseados em pesquisas para reduzir deslizes.
O “deslize” no Rio de Janeiro
O caso mais recente envolveu a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão (RJ), no final de outubro, que resultou em 121 mortes. Ao comentar o tema, Lula classificou a ação como “desastrosa” e usou o termo “matança” em uma entrevista a agências internacionais.
Essa mudança de tom surpreendeu a equipe, que havia adotado uma postura mais cautelosa. O plano inicial, alinhado à Secretaria de Comunicação Social (Secom), era criticar o fato de a operação não ter alcançado seus objetivos (prender os líderes do Comando Vermelho), classificando-a como um ato de “enxugar gelo”. A frase “matança” não estava no script e foi imediatamente usada pela oposição para acusar o governo de defender criminosos.
Antes desse episódio, Lula já havia sofrido desgaste ao afirmar que traficantes de drogas são “vítimas dos usuários”.
Impacto na popularidade e eleições
Uma pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última semana, reforçou a preocupação do governo: 57% da população discorda da declaração de Lula sobre a operação no Rio.
A preocupação com a segurança pública brecou a tendência de melhora na popularidade do presidente, fazendo sua aprovação cair de 48% (outubro) para 47% no levantamento mais recente, enquanto a desaprovação subiu de 49% para 50%.
O principal impacto das falas polêmicas recai sobre o eleitorado independente — que não é petista nem bolsonarista —, uma fatia decisiva para a eleição de 2026.
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O diretor da Quaest, Felipe Nunes, observou que esse eleitorado, que já havia apoiado o governo em temas de soberania nacional, agora se volta contra o presidente no tema da violência, demonstrando o efeito direto da segurança pública em sua avaliação.
Além das polêmicas, o estilo de Lula também atropelou o planejamento político ao anunciar em 23 de outubro, na Indonésia, que irá concorrer a um novo mandato, antecipando uma decisão que o PT e o governo planejavam divulgar com maior impacto estratégico.
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Foto: Ricardo Stuckert/Assessoria de Imprensa
