Com fraudes de mais de R$ 12 bi, Câmara pode criar CPI do banco Master
Conheça como o governo de Cláudio Castro está envolvido.
Publicado em: 18/11/2025 às 20:06 | Atualizado em: 18/11/2025 às 20:08
A Câmara dos Deputados pode instalar, nos próximos dias, a CPI do Banco Master para investigar o rombo superior a R$ 12 bilhões identificado pela Polícia Federal. A criação da comissão ganhou força após revelações de que o governo Cláudio Castro (PL-RJ) manteve operações robustas com fundos e produtos ligados ao Master mesmo após alertas de risco.
O requerimento apresentado por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) descreve o esquema como “um dos maiores escândalos de corrupção da história recente”. O pedido cita fraudes, falsificação de títulos e manipulação de ativos. Segundo Rollemberg, os negócios envolveram diretamente órgãos do governo fluminense, expondo o estado a prejuízos bilionários.
R$ 3 bilhões do governo Castro
Órgãos estaduais aplicaram quase R$ 3 bilhões em fundos, Letras Financeiras e CDBs ligados ao banco.
A Rioprevidência responde pela maior parte: R$ 2,6 bilhões, equivalentes a mais de 25% de seus recursos.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) apontou que R$ 1,1 bilhão foi destinado a Letras Financeiras — produto sem proteção do FGC, classificado como investimento de alto risco para um fundo previdenciário.
Mesmo após o alerta formal do TCE, os aportes continuaram. Entre 20 de maio e 25 de julho, foram 16 aplicações em apenas 66 dias.
Cedae também aplicou e não conseguiu resgatar
A estatal de saneamento Cedae investiu cerca de R$ 200 milhões em CDBs ligados ao Master.
Após a operação da PF, a empresa admitiu inadimplência ao tentar resgatar parte do valor.
Consignado para aposentados teve aval do governo
A Casa Civil autorizou, em março de 2025, a Credcesta — ligada ao Master — a operar consignado diretamente na folha dos aposentados da Rioprevidência.
O deputado estadual Luiz Paulo (PSD) tenta suspender o convênio desde a operação da PF.
Operação da PF prendeu o controlador e expôs irregularidades
A prisão de Daniel Vorcaro e de seu sócio Augusto Lima, na Operação Compliance Zero, acelerou a pressão pela CPI. A PF apura gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa e fabricação de ativos inexistentes.
Rioprevidência rebate, mas TCE vê silêncio e risco sistêmico
O fundo previdenciário afirma que não aplicou novos recursos no Master desde agosto de 2024 e que os aportes foram direcionados a títulos públicos.
Já o TCE-RJ aponta falta de transparência, documentos obrigatórios não publicados e risco direto aos servidores aposentados.
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Foto: Lula Marques/Agência Brasil
