Centrão abriu caminho para aproximação entre BRB e Banco Master

Dirigentes do PP e União Brasil atuaram nos bastidores para aproximar Vorcaro do governo Ibaneis, que controla o BRB.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 19/11/2025 às 06:38 | Atualizado em: 19/11/2025 às 06:38

A tentativa do BRB (Banco de Brasília) de comprar o Banco Master — posteriormente barrada pelo Banco Central — foi impulsionada pelo peso político de dois caciques do centrão: o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda.

Conforme a colunista Natália Portinari, do Uol, a dupla atuou para aproximar o banqueiro Daniel Vorcaro, sócio majoritário do Master, da cúpula do governo do Distrito Federal, que controla o banco estatal.

Dessa forma, a articulação ocorreu em meio ao esforço de Vorcaro para encontrar um comprador para o Master no fim de 2023.

O trânsito de Ciro e Rueda junto ao governador Ibaneis Rocha (MDB) — aliado de ambos os partidos e dependente deles para compor uma coalizão robusta para 2026 — abriu as portas do BRB para o banqueiro e acelerou as tratativas.

Essa engrenagem política foi determinante para que o BRB avaliasse a oferta de compra do Master e, posteriormente, realizasse uma operação de repasse de R$ 12 bilhões ao banco privado no início de 2025. A transação é um dos pontos centrais da operação Zero Compliance, que levou à prisão de Vorcaro e de executivos do Master nesta segunda-feira (18).

A gênese da aproximação

A ponte inicial entre Brasília e o Banco Master começou ainda em 2023, com o movimento de Flávia Peres, ex-ministra do governo Jair Bolsonaro e ex-mulher de José Roberto Arruda (PL). Casada com Augusto Lima, sócio do Master, ela desempenhou papel crucial na aproximação política.

Foi Flávia quem reativou conexões com antigos colegas do Palácio do Planalto — entre eles Ciro Nogueira, então ministro da Casa Civil. A partir daí, o senador tornou-se um defensor ativo dos interesses do Master nos bastidores do Congresso e do Executivo.

Interesses em jogo e articulações no Congresso

Em agosto do ano passado, Ciro Nogueira chegou a defender publicamente uma mudança profunda no sistema financeiro: ampliar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por conta, medida que beneficiaria bancos médios como o Master ao aumentar a segurança percebida pelos investidores.

O congressista tentou inserir a proposta em uma PEC que tratava de outro tema, numa manobra vista como avanço direto dos interesses do banco.

Desfecho com repercussões nacionais

Com a prisão de Vorcaro e diretores do Master e o avanço da Operação Zero Compliance, as articulações políticas que cercaram a tentativa de compra e o repasse bilionário entram agora no foco das autoridades.

Assim sendo, a conexão entre líderes partidários, interesses privados do setor financeiro e decisões de um banco controlado pelo governo do Distrito Federal indica que a repercussão do caso deve ultrapassar o mercado bancário e atingir o centro da disputa política para 2026.

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