Países amazônicos resistem ao fim do uso de combustíveis fósseis

A avaliação foi feita ao BNC Amazonas pela porta-voz da Rede de Justiça de Recursos, a advogada e coordenadora regional para América Latina e o Caribe Laura Montaño.

Gabriel Ferreira, enviado do BNC Amazonas à COP-30

Publicado em: 19/11/2025 às 12:16 | Atualizado em: 19/11/2025 às 12:16

A porta-voz Laura Montaño, atua na COP-30 e em edições anteriores pressionando pela criação de um roteiro para o abandono dos combustíveis fosséis na Amazônia.

Conforme Laura, a busca é pela colaboração internacional para criação de um mapa do caminho para o abandono dos combustíveis fósseis e transição energética justa.

Laura disse que o trabalho nos bastidores da COP-30 é pela Rede de Justiça de Recursos (Resource Justice Network).

Liderada pela Colômbia, que anunciou ser o primeiro país amazônico a banir empreendimentos do petróleo e mineração, uma coalização de 16 países até o momento, ricos e em desenvolvimento, quer sair da COP com o mapa traçado para a transição energética e fim do uso de combustíveis fósseis.

Além disso, ela avaliou o andamento das discussões entre os países amazônicos, como Brasil, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Peru e Guiana, na busca por mecanismos para uma transição energética justa.

“Temos visto como os países têm buscado impulsionar um mecanismo de ação de transição justa para criar uns esforços coordenados em nível global interinstitucionais e interestatais. E acredito que aqui é muito interessante ver nas negociações que tem marcado o grupo de trabalho de transição justa. E o papel que as demandas amazônicas tiveram, acredito que a mais forte, mais clara e mais direcionada para a Amazônia é uma Amazônia livre de combustíveis fósseis”.

De acordo com ela, nas negociações em andamento foi reconhecida a participação dos povos indígenas e tradicionais da Amazônia para tratar sobre o tema.

“Não podemos falar de uma vitória em bloco dos países amazônicos movimentando as agendas que foram trazidas do povo, da sociedade civil para esta região. Porém, sim, podemos ver e podemos reconhecer que nas negociações de mecanismo de ação de transição justa, houve um reconhecimento explícito a necessidade de uma participação direta dos povos indígenas, comunidades locais onde entrariam os povos quilombolas, comunidades de camponeses, para acionar quais vão ser as formas dessa transição justa desde o nível local”.

Por fim, Laura disse que “não há realmente chamada por parte das delegações, dos negociadores, em dizer a Amazônia livre de combustíveis fósseis”.

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Foto/vídeo: Gabriel Ferreira/ especial para o BNC Amazonas