Amazonas e ZFM entram no foco da política nacional de exportações

Reunião no Planalto amplia integração dos estados às plataformas de investimentos e fortalece a cultura exportadora.

Amazonas e ZFM passam longe do ataque de Trump ao Brasil

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 24/11/2025 às 23:17 | Atualizado em: 24/11/2025 às 23:17

O presidente em exercício Geraldo Alckmin reúne-se nesta segunda-feira (24 de novembro), no Palácio do Planalto, com secretários estaduais de desenvolvimento para avançar em duas plataformas estratégicas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços: a Janela Única de Investimentos, prevista para iniciar operação em fevereiro de 2026, e o Monitor de Investimentos, que já funciona como vitrine estruturada de projetos públicos para o setor privado.

A reunião também apresenta os planos estaduais da política nacional de cultura exportadora e faz um balanço da linha de financiamento de US$ 11 bilhões do BID, voltada para competitividade, inovação, logística e desenvolvimento regional sustentável.

Para o Amazonas e o polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM), a agenda abre uma janela concreta para aumentar exportações, atrair investimento estrangeiro e inserir o estado nas principais ferramentas de promoção econômica do governo federal.

Integração e atração de investimentos

A jornada desta segunda-feira inclui:

  • assinatura de portaria para ampliar o Monitor de Investimentos e incluir projetos estaduais de infraestrutura;
  • pedido ao BID para que estados passem a operar diretamente dentro da Janela Única de Investimentos;
  • apresentação dos planos estaduais da política nacional de cultura exportadora já elaborados por sete estados;
  • devolutiva sobre projetos iniciados com a linha de crédito condicional do BID.

As plataformas têm como foco a desburocratização, a padronização de dados, a redução de assimetrias e a construção de ambiente seguro e transparente para investidores privados.

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Números reforçam potencial

Indicadores econômicos reforçam por que o Amazonas entra naturalmente no mapa da política nacional de exportações e competitividade:

  • Em outubro de 2025, o estado atingiu US$ 1,35 bilhão de corrente de comércio, com US$ 93,5 milhões exportados e US$ 1,25 bilhão importados.
  • Em setembro, o déficit ficou em US$ 1,39 bilhão, com exportações de US$ 66,9 milhões e importações de US$ 1,46 bilhão.
  • Entre janeiro e agosto de 2025, o polo industrial de Manaus faturou R$ 147,69 bilhões, crescimento de 10,4% em relação a 2024; em dólares, o valor alcançou US$ 26,11 bilhões.
  • O polo empregava 129.955 trabalhadores em agosto, com média anual de 131.569, avanço de 8,58% sobre 2024.

Os números mostram força industrial, mas também revelam o desafio central: ampliar o valor agregado das exportações para reduzir a dependência de insumos importados, tema que dialoga diretamente com a política nacional de cultura exportadora e com os instrumentos apresentados por Alckmin.

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Oportunidade e desafios

A integração dos estados às ferramentas do ministério tende a beneficiar regiões que combinam base industrial com potencial de expansão exportadora, caso do Amazonas.

A presença do polo industrial da ZFM, sua longa tradição manufatureira e o ecossistema logístico associado à ZFM reforçam a capacidade de atrair capital privado e acessar novos mercados.

Contudo, persistem desafios estruturais. A concentração de investimentos na capital pode limitar o alcance territorial da agenda, mantendo municípios do médio e alto rio Amazonas fora da cadeia produtiva emergente.

Além disso, o volume muito superior de importações em relação às exportações evidencia a necessidade de desenvolver produtos com maior valor agregado, etapa decisiva para que o estado se alinhe plenamente à política nacional.

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O papel do Amazonas

Base industrial madura, faturamento em alta e capacidade de atrair novos investimentos colocam o estado como candidato natural aos instrumentos anunciados, desde que avance na diversificação produtiva e na interiorização do desenvolvimento.

Foto: divulgação/Suframa