Faculdades são alertadas pelo MEC sobre ‘fábrica’ de diplomas falsos

Ministério cobra cautela das universidades e aponta risco de fraude em títulos de instituições estrangeiras fictícias.

Publicado em: 27/11/2025 às 09:53 | Atualizado em: 27/11/2025 às 10:10

A ofensiva contra diplomas acadêmicos emitidos por entidades estrangeiras fictícias levou o Ministério da Educação (MEC) a agir. Em ofício enviado na segunda-feira (24), a pasta recomendou cautela extrema às universidades ao analisar pedidos de revalidação ou reconhecimento de títulos obtidos fora do país.

O alerta cita diretamente a Florida University – USA (Fuusa), utilizada para tentar registro profissional e validação acadêmica no Brasil. A apuração jornalística que revelou o caso expôs um ecossistema de instituições inexistentes atuando no país sob formato de pós-graduações.

Segundo o documento, o MEC identifica como suspeitas: Faculdades de Teologia e Filosofia Fides Reformata (Fateffir), Unifateffir, Emil Brunner World University (EBWU), Veni Creator Christian University, Ivy Enber Christian University, São Luiz University e a paraguaia Universidad del Sol (Unades).

O texto orienta que diplomas oriundos desses nomes sejam analisados com rigor documental.

O Ministério afirma que — até prova em contrário — os requerentes devem ser tratados como vítimas de fraude, não como cúmplices. A recomendação central é que as universidades consultem permanentemente a Plataforma Carolina Bori e reforcem internamente o alerta para evitar prejuízos institucionais e acadêmicos.

O cenário ganhou gravidade após o Diário Oficial da União confirmar a anulação de 218 diplomas de mestrado e doutorado vinculados à suposta Facultad Interamericana de Ciencias Sociales (FICS), no Paraguai. A Universidade Federal de Alagoas (UFAL) identificou irregularidades severas, ausência de autorização educacional e indícios de “clonagem institucional”, tornando os títulos juridicamente impossíveis de reconhecer.

Enquanto investigações seguem no âmbito policial e diplomático, o MEC afirma que novas medidas só poderão ser adotadas com conclusões formais das autoridades. Até lá, a orientação permanece objetiva: cada universidade deve seguir o protocolo de verificação, proteger sua reputação acadêmica e garantir a integridade dos processos de reconhecimento de diplomas — responsabilidade que recai sobre cada IES.

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Foto: divulgação