Eneva investe R$ 7 bilhões em gás no Amazonas
Projeto Azulão 950 amplia qualificação técnica e movimenta a economia no interior
Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 02/12/2025 às 22:37 | Atualizado em: 02/12/2025 às 22:37
A terceira edição do evento “Raízes do Investimento”, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (Sedecti), reuniu nesta terça-feira, 2 de dezembro, representantes do setor produtivo para discutir o avanço de projetos de logística e energia no estado.
No encontro, a Eneva, maior operadora privada de gás natural do Brasil, anunciou que o Complexo Azulão 950 terá aporte total de quase R$ 7 bilhões e afirmou que mais da metade dos alunos formados no programa técnico criado pela empresa será contratada.
O projeto está localizado no município de Silves e operará no modelo reserve to wire (R2W), que leva o gás do reservatório diretamente para geração de energia.
O Azulão 950 terá capacidade contratada de 950 MW até 2027. A primeira etapa, em ciclo simples, de 360 MW, inicia operação comercial no primeiro trimestre de 2026, enquanto a fase em ciclo combinado, com geração a partir de vapor de água, será concluída em 2027.
Segundo Márcio Lira (na foto, com o microfone), diretor de relações institucionais da Eneva, o gás natural é vetor de transformação econômica:
“Sem dúvida nenhuma, o gás natural hoje é aquilo que a gente sempre sonhou pro interior do estado do Amazonas, uma fonte de desenvolvimento oriunda do interior pra capital”.
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Qualificação técnica
Para atender à demanda de mão de obra, Lira disse que a empresa destinou R$ 15 milhões para adaptar uma escola em Silves e transformá-la em uma Unidade de Educação Profissional e Tecnológica (UEPT) do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam).
Três turmas já foram concluídas, somando 81 alunos, todos com bolsa integral. Segundo o diretor, o objetivo é absorver diretamente esses profissionais:
“E desses, mais da metade já serão contratados para Eneva a partir de janeiro do ano que vem, o que é um grande legado que fica inclusive pra região”.
A formação atende prioritariamente Silves e Itapiranga, mas já recebe estudantes de Itacoatiara, Urucurituba e São Sebastião do Uatumã.
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Impactos econômicos
Segundo Lira, os projetos da Eneva no Amazonas — incluindo a Unidade de Tratamento de Gás, o Complexo Azulão 950 e a exploração sísmica — já geraram mais de 6.300 empregos. Do total, 80% são trabalhadores locais, provenientes de Manaus, Silves, Itapiranga e Itacoatiara.
O impacto é visível nos indicadores sociais. Em Silves, o número de trabalhadores formais quase triplicou; em Itapiranga, praticamente dobrou.
O dinamismo também impulsionou setores como construção civil, hotelaria, alimentação e mercados imobiliários.
“Já foram mais de 5.000 empregos diretos e indiretos em 2 anos”, afirmou Lira.
Além disso, a expansão da cadeia de serviços aumentou a arrecadação de imposto sobre serviço (ISS). Em Silves, por exemplo, em 2019, o início das obras da Unidade de Tratamento de Gás possibilitou à prefeitura construir a primeira UPA municipal e garantir atendimento médico semanal.


Transição energética
Segundo a Eneva, o gás natural desempenha papel estratégico na interiorização do desenvolvimento, na descarbonização e no atendimento a sistemas isolados.
A empresa afirma que, ao ampliar a oferta energética, o Amazonas ganha competitividade.
Atualmente, mais de 60% da energia consumida em Manaus é proveniente de gás natural distribuído pela Cigás, produzido pela Eneva na bacia do rio Amazonas e pela Petrobrás, no rio Solimões.
O secretário da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (Sedecti), Serafim Corrêa, afirmou que o estado reúne condições para ampliar investimentos.
“Com a reforma tributária, a segurança jurídica, nós temos todas as condições de atrair novos investimentos”.
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Perspectiva
Com obras avançadas e mão de obra local em formação, o Azulão 950 se consolida como vetor econômico do interior.
Para a empresa, a combinação de geração de energia, renda e qualificação profissional reposiciona o Amazonas no setor energético nacional e cria novos polos de desenvolvimento fora da capital.
Corrêa defendeu que obras de logística criam base para expansão de projetos.
“Para ampliar investimentos você precisa criar pré-condições, seja pelo aeroporto, seja pelos portos, seja pelas empresas ligadas ao gás”, disse.

Foto: BNC Amazonas
