PF prende presidente da ALE-RJ por suspeita de vazamento de informações sigilosas
Decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, cita "fortes indícios" de obstrução de Justiça e influência em organização criminosa
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 03/12/2025 às 15:31 | Atualizado em: 03/12/2025 às 15:31
O cenário político do Rio de Janeiro foi abalado nesta quarta-feira (3) com a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALE-RJ), o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil). A prisão ocorreu durante a operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF).
Conforme reportagem do g1, Bacellar é suspeito de ter vazado informações sigilosas da operação Zargun, que, em setembro, resultou na prisão do então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.
Vazamento e obstrução
O mandado de prisão e o afastamento do mandato de Bacellar foram expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Em sua decisão, Moraes apontou a existência de “fortes indícios” da participação de Bacellar em uma organização criminosa.
Segundo trechos da decisão obtidos pela imprensa, o presidente da Alerj estaria atuando ativamente pela “obstrução de investigações envolvendo facção criminosa e ações contra o crime organizado, inclusive com influência no Poder Executivo Estadual”.
O Blog do Octavio Guedes revelou que, na véspera da Operação Zargun (2 de setembro), Bacellar teria ligado para TH Joias, alertando-o sobre os mandados e orientando-o a destruir provas. O ex-parlamentar chegou a organizar uma mudança com um caminhão-baú.
Moraes reforçou a gravidade dos fatos: “Os fatos narrados pela Polícia Federal são gravíssimos, indicando que Rodrigo Bacellar estaria atuando ativamente pela obstrução de investigações… capazes de potencializar o risco de continuidade delitiva e de interferência indevida nas investigações da organização criminosa”.
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Prisão na Sede da PF e o caso TH Joias
A prisão de Bacellar ocorreu de maneira discreta na Superintendência da PF no Rio, na Praça Mauá. Ele teria sido “convidado” para uma “reunião” pelo próprio superintendente, Fábio Galvão, recebendo voz de prisão e tendo o celular apreendido assim que chegou, conforme apuração do g1. TH Joias também seria levado para a PF para prestar depoimento.
A suspeita de vazamento já havia sido levantada no dia da Operação Zargun, quando o procurador-geral de Justiça do RJ, Antonio José Campos Moreira, mencionou a dificuldade em localizar TH Joias.
Na ocasião, o procurador declarou que o parlamentar “havia saído do condomínio por volta das 21h40 [de terça, véspera da operação], deixando a casa completamente desarrumada, o que pode sugerir uma fuga e o desfazimento de vestígios de fatos criminosos”.
TH Joias, que assumiu o mandato em junho, foi preso horas depois na casa de um amigo, na Barra da Tijuca, e perdeu o mandato por envolvimento em crimes como tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, sendo suspeito de negociar armas para o Comando Vermelho (CV).
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Foto: divulgação/ALE-RJ
