Setor de mineração quer mais pesquisa sobre potássio, além de Autazes

Especialistas dizem que o Brasil ainda conhece mais indícios do que reservas comprovadas.

Publicado em: 09/12/2025 às 20:19 | Atualizado em: 09/12/2025 às 20:24

O Brasil ainda importa quase todo o potássio que consome. Para o setor mineral, esse atraso virou risco estratégico.

O diretor do Ibram, Júlio Nery, afirma que o país precisa investir em pesquisa geológica contínua para transformar áreas promissoras em reservas certificadas.

“O Brasil tem problemas com a pesquisa. Todas as regiões exploradas hoje foram identificadas nas décadas de 1960 e 1970. Precisa desenvolver mais pesquisas geológicas para fazer esse mapeamento mais correto de regiões promissoras”.

Além disso, ele lembra que por décadas o país preferiu importar.

“O convênio estabelecia uma tributação que era favorável ao importado. Então, o importado entrava no Brasil sem pagar imposto. Tinha menor competitividade do produto nacional. E por causa disso, as empresas não investiram então em minas. Era mais barato importar”.

Esse cenário começou a mudar em 2021, quando os fertilizantes passaram a ter cobrança gradual de ICMS. A alíquota chega a 4% a partir de 2025.

Hoje, o setor registra 304 autorizações de pesquisa de potássio em andamento no Brasil e outras 13 em análise.

Mesmo assim, Nery diz que isso ainda não resolve a dependência externa.

“É necessário avançar em pesquisa mineral e na implantação do projeto de Autazes, por exemplo […] Já tem a licença, agora a gente precisa ver esse projeto operando para diminuir então a dependência externa”.

O projeto de potássio em Autazes, no Amazonas, concentra hoje a principal aposta concreta do país. A empresa responsável prevê início da produção em 2030.

A meta é produzir 2,2 milhões de toneladas por ano, volume capaz de suprir cerca de 20% da demanda nacional.

A mina fica a 800 metros de profundidade e utilizará método subterrâneo com câmaras e pilares. O resíduo gerado será sal, que retornará ao subsolo após o processamento.

A localização próxima ao Mato Grosso reduz custos logísticos e favorece o agronegócio, maior consumidor do insumo.

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Foto: reprodução/YouTube/Vale