Ataques ao padre Júlio Lancellotti expõem atuação do MBL
Ataques sistemáticos nas redes, liderados por nomes ligados ao MBL, antecederam medidas da Arquidiocese de São Paulo e ampliaram a guerra cultural dentro do catolicismo brasileiro
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 17/12/2025 às 15:25 | Atualizado em: 17/12/2025 às 15:25
A censura imposta pela Arquidiocese de São Paulo ao padre Júlio Lancellotti ocorre em meio a um ambiente de forte pressão digital promovida por influenciadores da extrema direita católica.
O sacerdote, conhecido nacionalmente pelo trabalho pastoral junto à população em situação de rua, tornou-se alvo recorrente de campanhas que combinam críticas religiosas e disputas políticas típicas da chamada guerra cultural. Como informa o DCM.
Entre os principais articuladores dessa ofensiva está Miguel Kazam, influenciador ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) e com mais de 100 mil seguidores nas redes sociais.
Há meses, ele conduz ataques sistemáticos contra Lancellotti, estimulando a mobilização de apoiadores e pressionando publicamente a hierarquia da Igreja Católica.
A relevância digital de Kazam foi construída a partir da exploração de conflitos. Em vídeos e postagens, o influenciador associa a atuação pastoral do padre a supostos desvios morais e ideológicos, frequentemente sem apresentar provas, mesclando argumentos religiosos com narrativas políticas alinhadas à extrema direita.
Dessa maneira, o tom dos conteúdos busca provocar reação, ampliar engajamento e manter o religioso sob constante desgaste público.
O episódio envolvendo o curta-metragem “São Marino” tornou-se um dos principais combustíveis dessa estratégia.
Ao criticar a participação de Lancellotti na narração da obra, Kazam passou a sustentar que o padre estaria promovendo uma suposta “agenda trans” dentro da Igreja — acusação que rapidamente ganhou tração em círculos conservadores nas redes.
A ofensiva, porém, não se restringiu ao ambiente digital. O próprio influenciador admite ter preparado e encaminhado um dossiê com denúncias à Arquidiocese de São Paulo e ao Vaticano, com o apoio de um advogado identificado com a extrema direita católica. A iniciativa buscou formalizar as acusações e ampliar a pressão institucional sobre o sacerdote.
O caso expõe a crescente influência de atores digitais na vida interna da Igreja e evidencia como disputas ideológicas externas vêm moldando decisões e conflitos no campo religioso, transformando líderes pastorais em alvos de campanhas organizadas nas redes sociais.
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
