Onda de calor impulsiona fabricação de ar-condicionado na ZFM
O presidente da Eletros confirma essa relação direta e acrescenta que o produto atingiu um novo estágio na preferência do consumidor
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 30/12/2025 às 17:48 | Atualizado em: 30/12/2025 às 17:48
A onda de calor na região Sudeste do país tem gerado demanda maior pela produção de ar-condicionado na Zona Franca de Manaus (ZFM). En um único dia, por exemplo, grandes redes varejistas naquela região chegaram a registrar altas de mais de 1.000% nas vendas de aparelhos e ventiladores.
Ao BNC Amazonas, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), José Jorge do Nascimento Júnior, confirma essa relação direta e acrescenta que o produto atingiu um novo estágio na preferência do consumidor.
“A forte onda de calor, que vem sendo destacada pela imprensa em todo o país, tem gerado uma demanda cada vez maior por aparelhos de ar-condicionado e evidencia que o produto atingiu um novo patamar no mercado brasileiro”.
Segundo ele, o ar-condicionado deixa de ser um item estritamente sazonal para se consolidar como um bem de conforto e bem-estar, com impacto direto na qualidade de vida da população e no desempenho da indústria eletroeletrônica.
“Esse movimento reforça a importância da Zona Franca de Manaus para o Brasil como um todo, ao garantir produção em larga escala, geração de empregos qualificados e desenvolvimento tecnológico em um segmento essencial para o conforto térmico dos lares brasileiros”.
Crescimento
Desse modo, o presidente da Eletros considera que há espaço no mercado para um crescimento mais robusto.
“Mesmo com o salto recente, o equipamento ainda está presente em menos de 20% dos domicílios, o que revela um enorme potencial de expansão do mercado interno e a necessidade de um ambiente regulatório estável para investimentos e adoção de tecnologias mais eficientes”.
Nascimento Jr. também aposta nos investimentos no setor e a superação de obstáculos como o processo produtivo básico (PPB) que obrigava a compra de compressores produzidos no país, embora a única fornecedora estivesse sem condições de suprir a demanda.
O presidente da Eletros também cita as últimas reuniões do Conselho de Administração da Suframa (CAS) que aprovaram mais de R$ 1,2 bilhão em novos projetos de investimento para a ZFM, em diferentes segmentos industriais.
“Esse conjunto de investimentos beneficia diretamente o parque fabril instalado em Manaus, incluindo o polo de ar-condicionado, ao criar condições para ampliação de capacidade produtiva, incorporação de novas tecnologias e fortalecimento da cadeia de fornecedores ligada à climatização”.
Nesse contexto, diz ele, a indústria de ar-condicionado instalada na ZFM assume papel estratégico, “apoiada por esse ambiente de investimentos e pelo esforço de aprimoramento regulatório”.
PPB
O presidente da Eletros afirmou que neste ano a entidade precisou se desdobrar para garantir as vantagens comparativas do setor.
“Ao longo de 2025, a Eletros esteve na linha de frente do debate sobre o gargalo dos compressores e a necessidade de ajustes no PPB, defendendo uma flexibilização responsável que assegure segurança de abastecimento, previsibilidade às fábricas e manutenção da competitividade do polo de Manaus, sem abrir mão do adensamento produtivo e da agregação de valor no país”.
Ele disse também que esse tem sido o eixo central da atuação da entidade, ou seja, construir um diálogo permanente com o governo e demais instituições na busca de soluções técnicas que preservem a atratividade da ZFM.
Por sua vez, o setor deve auxiliar o país a aproveitar plenamente o potencial de crescimento da climatização residencial em um cenário de temperaturas cada vez mais extremas.
“Nessa realidade, o ar-condicionado deixa de ser apenas um símbolo de conforto e passa a ser também uma questão de saúde pública e qualidade de vida, especialmente para a população mais vulnerável, com a indústria preparada para seguir investindo, inovando e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da Amazônia e do país”.
Foto: divulgação
