Lula readmite agente da Abin após PF descartar provas de vazamento

Reintegração de Cristiano Ribeiro anula demissão determinada pela Casa Civil e reacende debate sobre falhas internas e responsabilidade administrativa na agência de inteligência

Lula readmite agente da Abin após PF descartar provas de vazamento

Da Redação BNC Amazonas

Publicado em: 02/01/2026 às 10:53 | Atualizado em: 02/01/2026 às 10:53

O governo do presidente Lula da Silva (PT) readmitiu o ex-agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Cristiano Ribeiro, demitido em fevereiro de 2024 sob acusação de vazamento de informações sigilosas.

A reintegração foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União na terça-feira (30/12), assinada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, e torna sem efeito a demissão anterior.

A decisão ocorre após a conclusão de perícia da Polícia Federal que apontou a inexistência de provas técnicas capazes de comprovar que Ribeiro tenha sido o responsável pelo suposto vazamento de documentos internos da Abin, ocorrido em 2020.

À época, o caso ganhou repercussão nacional após reportagem revelar o envio de um arquivo em PDF a pessoas externas à agência.

Segundo o portal Metrópoles, que acompanhou o episódio em reportagens e na coluna do jornalista Paulo Cappelli, Cristiano Ribeiro foi inocentado no processo judicial relacionado ao caso, o que abriu caminho para seu retorno ao cargo público de origem.

Entenda o caso

A demissão do agente teve como base uma apuração da corregedoria da Abin, que o apontou como responsável pelo vazamento durante a gestão de Alexandre Ramagem, então diretor-geral da agência. Ramagem, posteriormente, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos e um mês de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A principal evidência apresentada contra Ribeiro foi uma fotografia de uma tela de computador, utilizada para sustentar a tese de que ele teria sido o autor do envio do documento sigiloso.

No entanto, a perícia técnica da Polícia Federal concluiu que a imagem não permitia estabelecer vínculo direto entre o monitor fotografado e o computador utilizado pelo agente acusado.

De acordo com o laudo, não havia elementos técnicos suficientes que comprovassem a autoria do suposto envio do arquivo, tornando a prova inconsistente para sustentar a penalidade aplicada.

Debate reacendido

A readmissão de Cristiano Ribeiro reacende discussões sobre os procedimentos internos da Abin, o uso de provas técnicas em processos administrativos e a responsabilização de servidores em casos sensíveis envolvendo inteligência estatal. O episódio também levanta questionamentos sobre eventuais falhas de investigação e os impactos de decisões administrativas baseadas em indícios frágeis.

Procurados, o Palácio do Planalto e a Abin não comentaram os detalhes da reintegração até o fechamento desta matéria.

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Foto: José Cruz/Agência Brasil