Aplauso a sequestro de Maduro acende alerta de invasão ao Brasil

Aplaudir intervenção ilegal hoje é aceitar que amanhã seja contra o Brasil.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 05/01/2026 às 10:42 | Atualizado em: 05/01/2026 às 10:45

As manifestações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do deputado Nikolas Ferreira, ambos do PL, em defesa da invasão da Venezuela e do sequestro do presidente Nicolás Maduro por ação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocaram reação dura no meio político brasileiro e acenderam um alerta institucional mais amplo.

A crítica não se dirige à defesa de Maduro ou de qualquer outro governante autoritário.

O ponto central é a normalização de uma prática ilegal, o sequestro de um chefe de Estado em território estrangeiro, como instrumento legítimo de disputa política internacional.

Defesa da força acima do direito

Ao elogiar uma ação dessa natureza, os parlamentares bolsonaristas passam a mensagem de que a soberania dos países e o direito internacional podem ser relativizados quando o alvo é um adversário ideológico.

Para aliados do governo do presidente Lula da Silva, esse raciocínio rompe com princípios constitucionais e com o próprio Estado de Direito.

Precedente perigoso para qualquer país

Diante do poderio militar e de inteligência dos Estados Unidos, críticos alertam que legitimar ações unilaterais transforma o país em um “justiceiro global”.

Nesse cenário, nenhuma nação está imune, inclusive o Brasil, a intervenções, sequestros políticos ou operações clandestinas justificadas por conveniência geopolítica.

Contraste com a crítica internacional

O posicionamento dos bolsonaristas contrasta com análises internacionais, como o editorial do The New York Times, que classificou a operação como ilegal e corrosiva da ordem internacional baseada em regras.

Estado de Direito como linha inegociável

Aliados do Planalto reforçam que criticar regimes autoritários não autoriza defender práticas igualmente autoritárias.

Democracias não se protegem com sequestros ou invasões, mas com diplomacia, tratados e respeito ao direito internacional.

A avaliação final no meio político é de que a retórica adotada por Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira ultrapassa a crítica legítima e flerta com a legitimação de um mundo regido pela força, onde nenhuma soberania está verdadeiramente segura.

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Foto: reprodução/redes sociais