Acordo comercial com Mercosul é aprovado pela União Europeia
Após 25 anos de negociações, maioria dos países do bloco chancela tratado, apesar da resistência liderada pela França.
Publicado em: 09/01/2026 às 09:10 | Atualizado em: 09/01/2026 às 09:26
A União Europeia aprovou, por maioria, o acordo de livre comércio com o Mercosul, encerrando 25 anos de negociações. A decisão ocorreu em reunião dos 27 países do bloco, realizada nesta sexta-feira (9), em Bruxelas.
França, Irlanda, Áustria e Hungria votaram contra o tratado, enquanto a Bélgica optou pela abstenção.
Mesmo assim, os votos favoráveis superaram o mínimo exigido: 15 países representando ao menos 65% da população europeia.
Com isso, a Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, deve assinar o acordo na próxima semana, no Paraguai.
O tratado prevê a retirada de tarifas estimadas em 4 bilhões de euros do fluxo comercial entre os blocos.
Além disso, 91% dos produtos terão redução tarifária gradual ao longo de dez anos.
Por outro lado, o texto cria cotas e salvaguardas para bens considerados sensíveis, como carne, açúcar, etanol e biodiesel.
A Comissão Europeia incluiu um sistema de monitoramento reforçado das importações agrícolas do Mercosul.
Relatórios semestrais vão avaliar impacto de preços e volumes no mercado europeu.
Caso os preços fiquem ao menos 8% abaixo dos praticados na União Europeia, medidas de contenção poderão ser acionadas.
O acordo também autoriza salvaguardas em até 21 dias, se um país do bloco solicitar proteção.
A resistência francesa ganhou destaque durante o processo.
O presidente Emmanuel Macron anunciou voto contrário após pressão de agricultores e protestos em Paris.
Apesar disso, o governo francês reconheceu que não teria votos suficientes para barrar o tratado.
Agora, Paris promete criar obstáculos políticos à implementação do acordo nos próximos anos.
Em sentido oposto, Alemanha, Itália, Espanha, Portugal e países escandinavos apoiaram a aprovação.
A Comissão Europeia estima que o pacto pode ampliar exportações em até 84 bilhões de euros.
O bloco também projeta a criação de cerca de 756 mil empregos, sobretudo nos setores industrial, químico e automotivo.
Saiba mais na coluna de Jamil Chade, no ICLnotícias.
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Foto: reprodução/redes sociais
