‘A Folha não vai vincular o meu nome à bandidagem’

Frase é do diretor de Governança do Incra, João Pedro Gonçalves, após derrubar na Justiça matéria da Folha de S.Paulo, sobre escândalo de crédito de carbono

'A Folha não vai vincular o meu nome à bandidagem'

Neuton Corrêa, da redação do BNC Amazonas

Publicado em: 22/01/2026 às 06:54 | Atualizado em: 22/01/2026 às 06:54

O Diretor de Governança Fundiária do Incra, João Pedro Gonçalves, reagiu com veemência às publicações da Folha de S.Paulo que o conectam ao escândalo do Banco Master e à família Vorcaro.

Em vídeo, o ex-senador e atual diretor do órgão repudiou as acusações. A Folho noticiou que ele facilitou processos de crédito de carbono em terras da União em Apuí, Sul do Amazonas, para favorecer interesses privados.

A reportagem da Folha aponta que João Pedro teria atuado para agilizar o trâmite de projetos de exploração ambiental em áreas públicas, beneficiando o grupo ligado ao Banco Master, instituição que está sob o holofote de órgãos de controle devido a manobras financeiras e expansão agressiva no setor de ativos ambientais.

Injusta e maldosa

No vídeo, João Pedro Gonçalves adotou um tom de forte indignação. Ele classificou a matéria jornalística como “injusta e maldosa”. Ele defendeu a integridade de sua trajetória política e técnica à frente da Diretoria de Governança do Incra.

“A Folha não vai vincular o meu nome e a minha história à bandidagem, à ilegalidade”, disparou o diretor.

Segundo Gonçalves, o processo em questão tramita de forma transparente e estritamente técnica. Ele revelou a existência de um ofício de sua autoria, no qual levanta questionamentos e solicita manifestação formal da Procuradoria Federal do Incra. Isso, para ele, comprova a cautela e a legalidade do rito.

Pontos centrais da defesa

O diretor destacou três pilares para rebater as suspeitas de favorecimento à família Vorcaro:

Processo inconcluso: Gonçalves enfatizou que o projeto de crédito de carbono ainda está em análise. Disse também que o processo possui uma série de itens pendentes de resposta. “Nós não concluímos esse processo”, afirmou.

Rito institucional: o envolvimento da Procuradoria Federal é citado como prova de que não houve “atalhos” burocráticos para beneficiar terceiros.

Compromisso ideológico: o diretor reforçou seu histórico com a reforma agrária para se distanciar de práticas ilícitas.

Decisão Judicial

João Pedro Gonçalves publicou o vídeo depois de conseguir derrubar, na Justiça, matérias da Folha que tratam do assunto. A decisão, que conseguiu na Justiça do Amazonas, saiu no início da noite desta quarta-feira, dia 21.

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Contexto do escândalo

“A menção ao nome de um alto diretor do Incra adiciona uma camada política explosiva ao caso do Banco Master. A instituição financeira vem sendo questionada pela forma como adquiriu e gere ativos de crédito de carbono em áreas sensíveis da Amazônia”.

A suspeita levantada pela imprensa é de que haveria uma rede de influência para validar títulos de terra e projetos ambientais em tempo recorde dentro de órgãos federais.

Dessa maneira, João Pedro Gonçalves encerrou seu pronunciamento colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos, mas reiterou que não aceitará o que chamou de “ataque à sua honra”.

Veja o vídeo

Foto: reprodução