Deportações de brasileiros dobram no segundo governo Trump
Nova política migratória dos EUA dobra número de brasileiros expulsos e acumula denúncias de tortura e uso excessivo da força.
Publicado em: 24/01/2026 às 18:45 | Atualizado em: 24/01/2026 às 18:45
Passado um ano do primeiro voo de deportação da gestão Donald Trump 2 para o Brasil, as marcas da nova política migratória dos Estados Unidos permanecem profundas. Relatos de brasileiros expulsos do país descrevem experiências traumáticas, enquanto dados confirmam um endurecimento sem precedentes na fiscalização e no uso da força por agentes norte-americanos.
O voo do “inferno”: janeiro de 2025
O episódio que inaugurou a nova era de deportações ocorreu em 25 de janeiro de 2025, quando brasileiros algemados e acorrentados desembarcaram em Manaus.
A cena gerou revolta no governo brasileiro, que proibiu a continuidade da aeronave americana, utilizando um voo da FAB para completar o trajeto até Belo Horizonte. Para os deportados, como o mineiro Aeliton Candido de Andrade, o trajeto foi descrito como um “massacre” e uma “tortura”.
Números em ascensão e o perfil dos alvos
A política de “limpar o país” resultou em números alarmantes:
Aumento de deportações: em 2025, o total de brasileiros expulsos chegou a 3.526, mais que o dobro do ano anterior.
Início de 2026: apenas nos primeiros 20 dias de janeiro, 104 brasileiros já foram devolvidos.
Perfil: embora o ICE (Serviço de Imigração) alegue focar em criminosos, cerca de 60% das ordens de remoção entre 2020 e 2024 miraram pessoas com infrações puramente administrativas.
Escalada de violência e separação familiar
A rotina nos centros de detenção, como o Moshannon Valley, é marcada pela agressividade dos agentes. Dados mostram que o uso de força física e armas de impacto (cassetetes) subiu drasticamente, chegando a registrar aumentos superiores a 100%. Além da violência física, o medo da separação familiar assombra os detidos; Aeliton relata casos de pais que, até hoje, não conseguiram recuperar a guarda dos filhos após a prisão.
A luta pelo recomeço
Para quem volta, o desafio é reconstruir a vida do zero. Sem documentos ou recursos financeiros, os deportados enfrentam dificuldades básicas para se reinserir na sociedade brasileira.
Leia mais
Trump intensifica deportação de brasileiros com segunda leva do ano
Aeliton, que viveu cinco anos nos EUA e hoje está desempregado em Minas Gerais, define a experiência como uma queda brusca, mas foca no esforço diário de recuperação emocional e psicológica após ter sua vida interrompida à força.
Leia mais no Metrópoles
Foto: fotospúblicas
