Casos de pancreatite associados a canetas emagrecedoras disparam no Brasil
Anvisa registra alta de casos suspeitos de pancreatite ligados a canetas emagrecedoras e aponta seis mortes
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 08/02/2026 às 11:07 | Atualizado em: 08/02/2026 às 11:07
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou um aumento contínuo no número de notificações de casos suspeitos de pancreatite associados ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil entre 2020 e 2025.
No período, foram contabilizadas seis mortes suspeitas relacionadas a esse tipo de evento adverso. As informações foram reveladas pelo portal G1 e confirmadas pela Folha de S.Paulo.
Os registros envolvem medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade, como semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida — fármacos que se popularizaram nos últimos anos pelo efeito de perda de peso.
Segundo a Anvisa, ao menos 145 notificações de suspeita de pancreatite foram registradas no sistema VigiMed, plataforma oficial de monitoramento de eventos adversos relacionados a medicamentos, entre 1º de janeiro de 2020 e 7 de dezembro de 2025.
Os dados mostram uma escalada nos registros ao longo dos anos. Em 2020, houve apenas um caso notificado. Em 2021, o número subiu para 21, passando para 23 em 2022. Já em 2023, foram 27 notificações, seguidas por 28 em 2024. Em 2025, o volume atingiu o maior patamar da série histórica, com 45 registros.
Do total, seis notificações indicam desfecho suspeito de óbito, conforme informado pelos próprios notificadores. A Anvisa, no entanto, não detalhou em quais anos essas mortes ocorreram.
A agência informou ainda que, ao incluir dados provenientes de pesquisas clínicas, o número total de registros de suspeita de pancreatite no período sobe para 225 casos, embora não tenha especificado as datas dessas pesquisas.
Em nota, a Anvisa destacou que a possibilidade de pancreatite já consta nas bulas desses medicamentos como um evento adverso conhecido.
Além disso, a agência reforçou que a simples notificação não significa comprovação de relação direta entre o fármaco e o problema de saúde, mas serve como instrumento de vigilância para acompanhamento da segurança dos produtos.
A farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro (tirzepatida), afirmou que a bula do medicamento alerta para a inflamação do pâncreas como uma reação adversa incomum. A empresa orienta que pacientes procurem orientação médica e interrompam o tratamento em caso de suspeita da doença.
“Levamos a sério os relatos sobre a segurança do paciente e monitoramos, avaliamos e relatamos ativamente as informações de segurança de todos os nossos medicamentos”, afirmou a companhia, em nota.
A Anvisa também alertou para a possibilidade de subnotificação. Segundo o órgão, nem sempre os dados enviados pelos notificadores são completos, o que pode dificultar a identificação de todos os casos.
“Quando as notificações são feitas apenas pelo nome do princípio ativo, elas não aparecem em buscas por nome comercial”, explicou a agência.
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