Gravidez na adolescência representa 20% dos partos realizados no Amazonas
Ações educativas em comunidades rurais e escolas buscam combater a alta incidência de gravidez precoce no interior do Amazonas.
Publicado em: 25/02/2026 às 15:53 | Atualizado em: 25/02/2026 às 15:53
A gravidez na adolescência permanece como um dos principais gargalos da saúde pública no Amazonas. Segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), o estado registrou 64.847 partos ao longo de 2025. Desse total, 13.513 — o equivalente a 20,83% — envolveram mães na faixa etária entre 10 e 19 anos.
O cenário é ainda mais acentuado em municípios do interior. Em Itacoatiara, dos 1.578 partos realizados no ano passado, 22,56% foram de adolescentes. Em Manacapuru, o índice chegou a 21,19% (369 de 1.741 partos). Para tentar frear esses números, acadêmicos de medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas iniciaram ações de conscientização em escolas e comunidades rurais dessas localidades.
Barreiras na Zona Rural e Tabus Regionais
Na zona rural de Itacoatiara, estudantes de medicina realizaram visitas domiciliares na Comunidade São Francisco do Jamanã. O foco foram jovens entre 9 e 16 anos, que enfrentam maior dificuldade de acesso a orientações sobre direitos reprodutivos.

“No interior, ainda existe muito tabu para falar sobre gravidez na adolescência. Falta trazer esse tema para o dia a dia das escolas”, afirma a professora Francenilda Gualberto, coordenadora da iniciativa.
Educação e Prevenção nas Escolas
Em Manacapuru, as ações se concentraram na Escola Estadual José Seffair. O projeto utilizou metodologias para quebrar a barreira da timidez entre os alunos de 14 a 16 anos, como o uso de caixas de perguntas anônimas e demonstrações práticas com peças anatômicas sobre o uso de métodos contraceptivos.
De acordo com a coordenadora Nadielle Castro, a iniciativa é uma resposta aos riscos sociais da gestação precoce. Dados do Fundo de População das Nações Unidas reforçam que a gravidez é a segunda maior causa de evasão escolar na América Latina.
Impacto Social e Psicológico
As palestras e rodas de conversa promovidas pelas unidades de ensino superior buscam enfatizar que os impactos da gravidez precoce vão além da saúde física, atingindo o desenvolvimento psicológico e a continuidade dos estudos, especialmente entre as meninas.
As ações também orientam os jovens sobre o fluxo de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), onde é possível encontrar métodos contraceptivos gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Foto: Divulgação
