Militarização das escolas dispara e cresce quase 30 vezes no Brasil

Levantamento aponta 1.389 unidades em 2026; Paraná lidera ranking e modelo gera críticas por  retrocessos educacionais

escolas cívico-militares

Publicado em: 28/02/2026 às 12:05 | Atualizado em: 28/02/2026 às 14:03

O número de escolas militarizadas no Brasil aumentou de forma explosiva na última década, saltando de 48 unidades em 2014 para 1.389 em janeiro de 2026, um crescimento de quase 2.800%. 

Os dados são de um levantamento do professor Fernando Cássio, da Universidade de São Paulo.

A expansão se intensificou a partir de 2021, principalmente nas redes estaduais. Nesse período, o total de escolas estaduais militarizadas passou de 212 para 937.

Já nas redes municipais, o avanço foi proporcionalmente maior: de apenas duas unidades em 2014 para 452 em 2026.

O Paraná lidera o ranking estadual, com 345 escolas nesse modelo, seguido por Mato Grosso e São Paulo. Entre os municípios, Bahia e Maranhão concentram o maior número de unidades. O Paraná também lidera entre escolas privadas militarizadas.

Especialistas alertam que o modelo se apoia em uma lógica de “mercado educacional” e é frequentemente apresentado como solução para problemas estruturais da educação pública, apesar da falta de evidências de melhora consistente no aprendizado.

Pesquisadores também apontam riscos de discriminação, exclusão de minorias, redução do ensino noturno e de cursos técnicos, além do uso de recursos da educação para custear militares.

Em São Paulo, decisões judiciais recentes suspenderam regras consideradas discriminatórias em escolas cívico-militares e proibiram militares de ministrar aulas.

O debate ganhou repercussão nacional e gerou críticas sobre o impacto do modelo na diversidade, na gestão pedagógica e no direito à educação.

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Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil