“Assumo meus atos, nunca os dos outros”, diz Evilázio ao negar ligação em operação da PF
Evilázio Nascimento afirma que assumiu a Amazonprev um ano após os fatos investigados e diz que sua gestão instaurou a sindicância que afastou suspeitos e encaminhou informações a órgãos de controle
Publicado em: 06/03/2026 às 16:32 | Atualizado em: 06/03/2026 às 16:35
Após a repercussão da operação da Polícia Federal realizada na manhã desta sexta-feira (6 de março) na sede da Amazonprev, o presidente da instituição, Evilázio Nascimento, enviou esclarecimentos ao BNC Amazonas para delimitar responsabilidades e rechaçar qualquer envolvimento com as irregularidades investigadas.
O gestor destacou um dado cronológico central: a operação da PF mira transações ocorridas em 2024, enquanto ele assumiu a presidência da fundação apenas em maio de 2025.
“Quero que fique claro, desde já, que não tive nenhuma participação nesta operação. Os fatos aconteceram em junho e agosto de 2024. Eu só cheguei à Amazonprev um ano depois. Responderei sempre pelos meus atos, nunca pelos atos de absolutamente ninguém”, pontuou Evilázio.
Sindicância interna e afastamentos
Diferente do que sugerem as críticas de setores sindicais, Evilázio Nascimento afirmou que sua gestão não foi omissa. Ele disse ter reativado uma sindicância interna em novembro de 2025 para apurar a conduta de servidores do setor financeiro e do Comitê de Investimentos.
“Afastamos as pessoas envolvidas do setor financeiro e deixamos as investigações fluírem. Essa sindicância já foi concluída e os resultados, embora sob sigilo, já foram encaminhados a todos os poderes constituídos: Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Ministério Público, ALE-AM e aos conselhos Confis e Conad”, explicou o presidente.
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O “Efeito Banco Master”
De acordo com o presidente, a operação que resultou no suposto prejuízo não foi exclusividade do Amazonas. Ele contextualiza que as aplicações no Banco Master foram realizadas por diversas Instituições de Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do país, atraídas por oportunidades que o mercado financeiro oferecia na época.
Apesar de reconhecer a gravidade da situação, Evilázio buscou tranquilizar os segurados sobre a saúde financeira da instituição. Segundo ele, o patrimônio da Amazonprev é de aproximadamente R$ 12 bilhões, com rendimentos anuais que giram em torno de R$ 1,2 bilhão.
“Claro que R$ 50 milhões é uma perda significativa, mas para o volume da Amazonprev, é um valor que não compromete o pagamento dos servidores. Mesmo assim, estamos trabalhando juridicamente em busca do resgate desses recursos”, garantiu.
Silêncio estratégico
Questionado sobre o porquê de não ter se manifestado anteriormente, quando o sindicato do Tribunal de Justiça (Sitijam) provocou o Ministério Público, Evilázio foi pragmático:
“Na política, aquilo que a gente fala e escreve não tem volta. Preferi primeiro entender e compreender na íntegra tudo o que aconteceu para poder falar com propriedade. Agora que o assunto é público, faço questão de fazer essa reparação”, finalizou, colocando-se à disposição para detalhar os números em entrevista ao podcast do portal.
Foto: reprodução
