Naufrágio no alto rio Negro: navio bate em pedras a caminho de São Gabriel

Região é muito perígosa para navegação nesta época do ano; o rio está secando aceleradamente e não há sinalização no curso da viagem

Naufrágio Rio Negro

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Hudson Lima, do site Parintins Amazonas

Publicado em: 18/03/2026 às 12:26 | Atualizado em: 18/03/2026 às 13:05

Um navio que partiu de Manaus com 35 passageiros naufragou na tarde desta terça-feira (17), na região do alto rio Negro. Trata-se do ferry boat Lady Luíza, que estava fretado pela empresa Herdeiro de Deus. O navio também transportava cargas diversas, incluindo vários veículos.

O destino final seria a cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM). No entanto, a quatro horas do destino, sob um forte temporal, o ferry boat bateu em um banco de pedras submersas. Não houve vítimas, apenas danos no casco e prejuízos na carga.

A empresa Navegações Lady Luíza, proprietária do navio, confirmou ao BNC Amazonas os primeiros relatos do acidente, reiterando que todos os passageiros estão a salvo. Vídeos enviados ao site mostram diferentes momentos do naufrágio.

Clique aqui e acesso as imagens nas redes sociais do BNC.

Seca, pedras e praias

O alto rio Negro, sobretudo em São Gabriel da Cachoeira, é extremamente perigoso para a navegação fluvial. Região de cachoeiras, seus rios possuem perigosas corredeiras ao longo do curso. Comandantes transitam pelo rio “às cegas”, sem balizamento ou sinalização das lajes e dos bancos de areia que se multiplicam com a vazante desta época do ano.

Neste ano, o perigo aumentou porque o rio Negro está secando aceleradamente na região. Esse é o relato de comandantes de barcos à Anamazon (Associação dos Navegadores do Amazonas).

A presidente da entidade, Raigila Torres, cobrou o Governo Federal por meio da Capitania dos Portos:

“Já era para ter sinalização. No ano passado, houve dois acidentes relacionados a abarroamento com pedras. Falta a Capitania realmente colocar em prática esse estudo de carta náutica e identificar os pontos críticos. Praia não dá para sinalizar, mas pedra dá.”

Em sua opinião, ocorrem poucos acidentes diante dos riscos enfrentados: “Eu acho até que acontecem menos acidentes do que deveriam, considerando a proporção de embarcações e o número de pessoas que transportamos.”

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Foto: divulgação