Filiação de Moro no PL desencadeia debandada de prefeitos e racha com Ratinho Jr.
Movimento liderado pelo presidente da AMP pode retirar mais de 130 gestores municipais da legenda em apoio ao atual governador.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 27/03/2026 às 08:28 | Atualizado em: 27/03/2026 às 08:37
A chegada do senador Sérgio Moro ao PL (Partido Liberal) para disputar o Governo do Paraná em 2026 provocou um terremoto político na base aliada do estado.
O desembarque, consolidado nesta semana, deu início a uma debandada em massa de lideranças municipais que priorizam a fidelidade ao governador Ratinho Junior (PSD) em detrimento das diretrizes nacionais da sigla de Jair Bolsonaro.
Conforme informações do Poder360, o movimento de ruptura ganhou força nesta quinta-feira (26), com o anúncio oficial da desfiliação de Marcel Micheletto, atual prefeito de Assis Chateaubriand e presidente da AMP (Associação dos Municípios do Paraná).
Micheletto, que era um dos pilares do PL no oeste paranaense, deixou claro que a prioridade do grupo é a continuidade do projeto político do atual chefe do Executivo estadual.
“Ninguém aqui vai soltar a mão do maior governador da história do Paraná”, afirmou Micheletto, reforçando o isolamento de Moro perante os prefeitos que compõem a atual base governista.
A estimativa é que o gesto de Micheletto seja seguido por um efeito dominó impressionante: ao menos 50 prefeitos e 80 vice-prefeitos ligados ao Palácio Iguaçu devem deixar o PL nos próximos dias.
Dança das cadeiras e perda de comando
A crise não se restringe ao âmbito municipal. A entrada de Moro já havia provocado baixas na cúpula da legenda. Na última terça-feira (24), o deputado federal Fernando Giacobo, até então aliado de Ratinho Junior, abandonou o comando do diretório estadual e anunciou sua saída definitiva da sigla.
A reestruturação forçada do PL paranaense coloca o partido em uma encruzilhada: de um lado, a aposta na projeção nacional e no “recall” eleitoral de Sérgio Moro; de outro, a perda de uma capilaridade territorial construída ao longo de anos pela antiga liderança.
Moro minimiza: “pressão da máquina”
Em nota oficial divulgada por sua assessoria, o senador Sérgio Moro demonstrou tranquilidade diante das defecções. Para o ex-juiz, as movimentações são inerentes ao período de janela partidária e fruto de influência política do governo estadual.
- Argumento de Moro: as saídas são “previsíveis” devido à pressão da máquina pública.
- Projeção: o senador acredita que, após os rearranjos, o PL Paraná sairá “maior e mais forte” para o pleito de outubro.
Portanto, o cenário agora coloca o Paraná no centro do tabuleiro político nacional, testando a força do bolsonarismo orgânico contra a consolidada hegemonia regional de Ratinho Junior.
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Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
