Caso Master: pelo menos R$ 18 bilhões passaram pelas contas de Vorcaro
Dados da Receita enviados à CPMI mostram volume bilionário movimentado pelo dono do banco Master em 10 anos.
Publicado em: 14/04/2026 às 13:01 | Atualizado em: 14/04/2026 às 13:06
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, movimentou ao menos R$ 18,1 bilhões em contas próprias ao longo de dez anos.
Os dados foram enviados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou desvios em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As informações integram a e-Financeira, sistema que reúne dados sobre movimentações bancárias e investimentos.
Do total, R$ 11,5 bilhões, o equivalente a 64%, vieram de terceiros.
Outros R$ 6,6 bilhões foram transferências entre contas do próprio banqueiro.
No período, as entradas somaram R$ 9,1 bilhões, enquanto as saídas chegaram a R$ 9 bilhões.
A maior parte das movimentações ocorreu no próprio Banco Master, com R$ 12,3 bilhões.
Na sequência aparecem Bradesco, com R$ 2,4 bilhões, e BTG Pactual, com R$ 1,7 bilhão.
Ligação com fundos
Parte dos valores envolveu fundos de investimento ligados a Vorcaro.
Foram enviados R$ 2,6 bilhões e resgatados R$ 362 milhões ao longo do período.
O principal destino foi o fundo Hans II FIP Multiestratégia, ligado ao grupo Reag.
O fundo é comandado por João Mansur, citado em investigações sobre lavagem de dinheiro e possível ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Efeito em cadeia
O Hans II investia em outros fundos que, por sua vez, aplicavam recursos em empresas ligadas à família Vorcaro.
Entre elas, a Golden Green Participações, voltada ao mercado de crédito de carbono.
Após revisão dos ativos, o valor de investimentos caiu drasticamente.
O patrimônio do fundo Hans II despencou de R$ 3,6 bilhões para R$ 83 milhões.
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Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP
