Intenção de Trump de tornar facções como terroristas é refutada pelo Brasil
Polícia Federal diz ao governo que PCC e CV buscam lucro criminoso e não se enquadram na lei antiterrorismo.
Publicado em: 18/04/2026 às 10:07 | Atualizado em: 18/04/2026 às 10:12
A proposta do governo de Donald Trump de classificar facções brasileiras como terroristas foi rebatida oficialmente pelo Brasil. Em manifestação enviada ao Ministério da Justiça, a Polícia Federal (PF) afirmou que Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho não se enquadram nesse conceito jurídico.
Segundo o documento, terrorismo envolve atos violentos motivados por razões políticas, ideológicas, religiosas ou discriminatórias, com objetivo de espalhar medo social e pressionar governos.
Para a PF, o cenário das facções no Brasil é outro. O foco desses grupos seria a obtenção de lucro por meio de crimes como tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
“Organizações criminosas são grupos estruturados que se dedicam a atividades ilícitas com o objetivo primordial de obtenção de lucro”, afirma o ofício.
A corporação também rebateu a tese de que o uso da violência bastaria para caracterizar terrorismo. Segundo a PF, as ações desses grupos costumam mirar rivais e forças de segurança, e não a população de forma indiscriminada.
Mesmo afastando o enquadramento, a Polícia Federal reconheceu que PCC e CV representam ameaça severa à ordem pública e exigem combate permanente.
O documento ainda alerta que aplicar a Lei Antiterrorismo fora das hipóteses legais pode gerar questionamentos judiciais e até comprometer provas em investigações.
Em 2024, as forças integradas coordenadas pela PF realizaram cerca de 180 operações, com 700 prisões e mais de R$ 300 milhões apreendidos.
Saiba mais no Metrópoles.
Leia mais
EUA avaliam classificar PCC e CV como terroristas e tema preocupa o Brasil
Foto: reprodução/YouTube CNN
