Centrão e até aliados colam tarifaço contra Brasil em Flávio Bolsonaro
Aliados admitem dificuldades na reação inicial do senador, enquanto Planalto associa aproximação com Trump à ameaça de novas sobretaxas contra produtos brasileiros
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 03/06/2026 às 13:34 | Atualizado em: 03/06/2026 às 13:34
O anúncio da possibilidade de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos abriu uma nova frente de desgaste para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado por integrantes do Centrão e até por aliados como um dos principais atingidos politicamente pela crise.
A proposta de sobretaxação foi apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), após uma investigação sobre supostas práticas consideradas prejudiciais aos interesses americanos. A decisão final, no entanto, ainda depende do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nos bastidores de Brasília, lideranças do Centrão avaliam que a medida pode neutralizar os ganhos políticos obtidos por Flávio durante sua recente visita à Casa Branca. Como informa o ICL Noíticas.
O senador vinha explorando a aproximação com Trump e chegou a atribuir influência à decisão do governo americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Cenário desfavorável
Agora, porém, dirigentes partidários afirmam que a coincidência entre a viagem de Flávio aos Estados Unidos e o anúncio das possíveis tarifas criou um cenário desfavorável para o parlamentar. Segundo essa avaliação, o senador não teria considerado os impactos econômicos e políticos das medidas adotadas pelo governo americano.
Em meio à repercussão negativa, Flávio divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando que a investigação comercial teve início em 2025, antes de sua visita aos Estados Unidos. O senador também responsabilizou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela deterioração das relações bilaterais.
“A realidade é que essa tarifa é do Lula, pelo seu tom agressivo com os Estados Unidos, pelo seu discurso antiamericano”, declarou.
Flávio informou ainda ter enviado uma carta ao governo americano pedindo que as tarifas não sejam aplicadas e afirmou estar disposto a colaborar com o Palácio do Planalto para evitar prejuízos ao Brasil.
O governo Lula, por sua vez, passou a explorar politicamente o episódio. Integrantes da administração federal associam a aproximação de Flávio com Trump à ameaça de sobretaxas e a possíveis investigações contra o sistema de pagamentos Pix. O discurso tem sido usado para reforçar a defesa da soberania nacional e criticar a atuação internacional do senador.
A ofensiva ganhou força após uma publicação de Trump nas redes sociais. O presidente americano afirmou que foi positivo receber Flávio na Casa Branca e descreveu o senador como um “jovem inteligente que ama muito seu país”. A mensagem foi celebrada por apoiadores do parlamentar, mas também serviu de combustível para críticas da oposição.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) explorou a coincidência temporal entre o encontro e o anúncio das tarifas. “Hoje, no mesmo dia em que Trump ameaça o Brasil com tarifa de 25% e ataca o Pix, ele publica sua foto com Flávio Bolsonaro dentro da Casa Branca”, escreveu.
Dentro da pré-campanha do senador, aliados reconhecem que as primeiras reações ao tema foram desfavoráveis e demonstraram a capacidade de mobilização dos petistas em torno da pauta. Ainda assim, apostam que o impacto eleitoral dependerá da efetiva implementação das tarifas e avaliam que Flávio continuará sendo um dos principais nomes da oposição na disputa presidencial.
A tensão aumentou após o presidente Lula elevar o tom das críticas. Em discurso nesta terça-feira (2), o petista classificou o adversário como “imbecil” e “traidor da pátria”, aprofundando a disputa política em torno do episódio que já se tornou um dos temas centrais do embate entre governo e oposição.
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Foto: Pedro França/Agência Senado
